A Vigilância Sanitária de Londrina divulgou ontem, oficialmente, que os exames na bolsa de plasma (componente de sangue) apreendida na semana passada no Instituto de Hematologia de Londrina (IHEL) foram negativos quanto à presença do vírus HIV, que transmite a Aids. Os exames foram feitos no início da semana no Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS), no Rio de Janeiro, depois que uma comerciária de 25 anos denunciou ao Ministério da Saúde que havia contraído o vírus HIV antes de fazer uma doação de sangue ao IHEL, no início de fevereiro.
Na edição do último dia 23, a Folha trouxe entrevista com o diretor do IHEL, Arnaldo Antonio Calixto, antecipando a informação que os resultados dos exames realizados no Rio não comprovaram a contaminação.
A enfermeira Giane Zupelari, coordenadora do Setor de Produtos, Serviços e Saúde da Vigilância Sanitária de Londrina, e a médica Mara Ferreira Ribeiro, diretora de Epidemiologia e Saúde Ambiental da Secretaria Municipal de Sa© úde, mostraram que os resultados dos três exames feitos pelo INCQS apontaram ‘‘sorologia não reagente’’. Foram realizados dois tipos de exame utilizando a metodologia Elisa e depois o exame confirmatório chamado West Blot.
Mara Ferreira Ribeiro e Giane Zupelari dizem que não é possível determinar se a comerciária foi infectada pelo vírus HIV antes de doar sangue em fevereiro. Somente um hemocomponente do sangue suspeitofoi utilizado e o receptor do material foi identificado pela Vigilância Sanitária imediatamento após a denúncia. O receptor ainda não foi abordado pelas autoridades, mas o acompanhamento à distância do seu estado de saúde já começou através de levantamento de prontuários. A abordagem deverá ser feita ‘‘em hora oportuna’’. O acompanhamento deve durar um ano.
Se houver contaminação do receptor do sangue da comerciária, os resultados isentam o IHEL da responsabilidade. ‘‘Com relação à sorologia, o instituto está isento’’, afirmou Giane Zupelari. Ela explicou que todos os procedimentos adotados pelo IHEL foram corretos.
Giane Zupelari comentou que a rapidez na realização dos testes no INCQS e na identificação do receptor só foi possível porque o Paraná, ao lado do Rio Grande do Sul, são os Estados que adotaram normas rígidas de controle aos bancos de sangue, como a obrigatoriedade de triagem, com doador respondendo a questionários detalhados e também exame clínico. Além disso, o banco de sangue deve realizar dois tipos de exames para detectar a presença de HIV e também guardar congelada, por cinco anos, em uma ‘‘soroteca’’, amostra do sangue coletado.
Outra norma de segurança adotada pela Vigilância Sanitária de Londrina é o recolhimento mensal, nos bancos de sangue da cidade (IHEL e Hemocentro do Hospital Universitário de Londrina), de 16 amostras aleatórias de sangue que são enviados para análise no Lacen (laboratório oficial do Estado do Paraná). Os bancos de sangue também são obrigados a enviar um boletim diário à Vigilância Sanitária informando até mesmo a destinação de cada bolsa de sangue.

Doadora poderia estar
em ‘‘janela imunológica’’

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