Testes comprovam defeitos no Opala do pastor morto
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quarta-feira, 12 de março de 1997
Paulo Ubiratan 
O Instituto de Criminalística constatou que o Opala do vendedor e pastor licenciado José Idalécio Bueno, morto na último domingo, apresentava dois defeitos e por isto andava em ziguezague pela rodovia BR-369. Segundo o perito, engenheiro Luciano Bucharles, o sistema de freio, quando acionado, fazia o carro pender para a esquerda; e o terminal da direção, quando movimentado, jogava o carro para a direita. Após observamos os defeitos em 80 quilômetros de testes, desmontamos o Opala e constatamos os desgates nas peças que provocavam os defeitos, afirmou Bucharles. Bueno teria sido espancado por seis policiais e acabou morrendo no interior de uma viatura da Polícia Militar.
A confusão começou na BR-369, quando a vítima e familiares retornavam do Grêmio Literário e Recreativo Londrinense para assistir a um culto evangélico em Ibiporã. A tragédia ocorreu por volta das 18h30 de domingo. O principal suspeito do espancamento, sargento Levi Teófilo, disse em seu depoimento que Idalécio Bueno estaria embrigado e por isto dirigia o carro em ziguezague. O sargento conduzia seu Fiat e argumentou que foi fechado por Idalécio várias vezes. No posto da Polícia Rodoviária, na entrada de Ibiporã, Teófilo fez sinal para Bueno parar o veículo e, na sequência, deu-lhe uma tapa no rosto. A cena da agressão foi testemunhada por seis pessoas, além da esposa da vítima, Mara Bueno, e o filho menor Rodrigo. O sargento nega ter agredido Bueno e diz que usou a força apenas para conter a fúria do vendedor.
Mara e Rodrigo afirmam que Bueno foi jogado no chão, teve a cabeça imobilizada pelo joelho de um policial militar enquanto outro colocava a algema em sua mão direita. Em seguida, Bueno foi jogado no interior da viatura policial e levado para a delegacia de Ibiporã. Conforme o sargento Teófilo, quando abriram a porta do camburão na delegacia, notaram que José Idalécio Bueno havia vomitado e passava mal. Ele foi conduzido pelos policiais para o hospital Cristo Rei e morreu no caminho.
Na viatura policial, prefixo 3455, também periciada pelo Instituto de Criminalística, foram encontrados resquícios de vômito e respingos de sangue. O material - que deveria servir como prova para a defesa ou acusação - não foi coletado pelo Instituto Médico Legal (IML). Ontem, o advogado dos policiais militares acusados, Omar Salles, disse que iria questionar o motivo de o material não ter sido coletado, pois a mesma viatura já havia sido lavada, impossibilitando qualquer providência a respeito.
Ontem à tarde, o laudo de necrópsia foi motivo de confusão entre o diretor administrativo do IML, Ademar Cosalter, e os médicos legistas. Os médicos não queriam entregar o laudo para divulgação. Após muita discussão, Consalter conseguiu o rascunho. Extra-oficialmente, José Idalécio Bueno morreu por asfixia e seu corpo apresentava hematomas generalizados e escoriações. Até ontem à tarde, órgãos, vísceras e sangue coletado da vítima não haviam sido remetidos para exames em Curitiba.
O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Leonyl Ribeiro, nomeou ontem o delegado Edmo Hermenegildo, do 1º Distrito Policial, para presidir o inquérito que irá apurar as circunstâncias da morte do pastor.


