Curitiba – Três policiais militares rodoviários foram interrogados, na manhã de ontem, na Delegacia de Palmeira, no inquérito que investiga as circunstâncias da morte da estudante Rafaeli Ramos, 20 anos. Ela levou um tiro na cabeça durante uma abordagem policial desastrosa, na madrugada do último dia 13, em Porto Amazonas (51 km ao Sul de Ponta Grossa).
  Um dos depoentes, um cabo lotado na Lapa, foi o primeiro a chegar no local em que estavam Rafaeli e Diogo Schuhli, 21, amigo dela que dirigia o veículo Gol preto. O carro dos jovens se chocou com a viatura dos soldados Luis Gustavo Landmann e Dioneti Santos Rodrigues em um cruzamento na PR-427 nquela noite. Os outros dois policiais que depuseram são soldados de São Luis do Purunã.
  Eles falaram com a reportagem, mas pediram que seus nomes não fossem revelados. Os depoimentos, até agora, de acordo com a delegada Valéria Padovani de Souza, mostraram que o ocupante do veículo Palio de cor preta, que teria furado o bloqueio policial, não atirou contra outros policiais em São Mateus do Sul e em São Luis do Purunã, como constava nas primeiras diligências das investigações.
  ‘‘Os depoimentos de hoje (ontem) foram bastantes valiosos porque foi esclarecido que o Palio, quando na abordagem em São Mateus do Sul e São Luis do Purunã, não disparou contra eles’’, explicou a delegada.
  De acordo com os policiais rodoviários, a viatura de Landmann e de Rodrigues não estava na contramão. O cabo que chegou no local primeiro conversou com Diogo, pouco depois do choque, e afirmou que o rapaz contou no local que a própria Rafaeli teria alertado para ele frear e parar porque havia uma viatura em frente – o carro que estaria Landmann e Rodrigues. Durante o depoimento, os três contaram também que o local era bastante iluminado. A delegada ainda deve interrogar, na próxima sexta-feira, mais cinco policiais militares que teriam participado da ação, além de um operador de rádio, que teria confundido o Palio com o Gol de Diogo e Rafaeli e transmitido informação errada pelo rádio.
  ‘‘Não estou afastando a responsabilidade do Landmann, que atirou, mas estou vendo outras pessoas que contribuíram para o resultado’’, afirmou Valéria. Após os depoimentos na semana que vem, a delegada disse que deve apenas aguardar as provas periciais para concluir o inquérito. Ela ainda não recebeu a análise balística das marcas na viatura de Landmann, que teriam sido causadas pelos supostos disparos do ocupante do Palio.

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