Testemunhas dizem que rapaz baleado não praticou crimes
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 24 de novembro de 2004
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
Testemunhas ouvidas pela Polícia Civil negaram que o jogador de futebol Rafael Bezerra da Silva, 20 anos, teria participado do roubo de um Celta ocorrido na madrugada do último dia 15 e que ele estaria em posse de uma arma quando foi baleado por policiais militares horas depois do crime. O delegado do 1º Distrito Policial (DP), Jorge Barbosa, concluiu ontem inquérito sobre o assalto.
Segundo informações da Polícia Civil, na noite do crime dois rapazes roubaram o Celta na Avenida Juscelino Kubitscheck (Área Central de Londrina). Um deles, Thiarles Fernandes da Silva, 18 anos, foi preso pouco depois, quando foi atendido em um hospital da cidade após ter batido o carro tomado em assalto. Thiarles indicou que seu parceiro no roubo estaria numa casa no Conjunto Ernani Moura Lima (Zona Leste).
Policiais da Rone foram até o local e balearam Rafael. As versões sobre o fato são contraditórias. De acordo com Barbosa, os policiais afirmaram que atingiram Rafael porque ele teria tentado efetuar disparos com um revólver - que teria falhado -, mas duas pessoas que estavam na casa relataram que o jogador de futebol não estava armado e não tentou reagir quando a equipe da Rone chegou. Uma destas testemunhas é Edvaldo da Silva, 21 anos, preso no local por receptação de produto roubado (segundo a Polícia Militar, ele estaria com peças do Celta).
Rafael levou pelo menos oito tiros de fuzil e de pistola .40 e ontem à tarde permanecia internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Universitário (HU). Barbosa disse que o proprietário do Celta afirmou em depoimento que o jogador não participou do assalto. ''O dono do carro viu imagens do Rafael na televisão e não o reconheceu. Disse que os assaltantes teriam no máximo 1m75 de altura, e este rapaz (Rafael) é bem mais alto do que isso'', explicou o delegado.
No dia da ocorrência, Rafael foi autuado por porte ilegal de arma. O capitão Altivir Cieslak, que está interinamente no comando do 5º Batalhão da PM, afirmou na semana passada que foi aberto um inquérito policial militar para apurar se houve abusos na ação da Rone. A família de Rafael está pedindo doações de sangue para o jogador, que podem ser feitas no Hemocentro do HU. Informações podem ser obtidas pelo telefone (43) 3371-2000.


