Os moradores da favela Monsenhor Guilherme ficaram revoltados com a morte dos quatro adolescentes. Segundo testemunhas, os garotos não resistiram à prisão e também não houve tiroteio com a polícia.
Sônia Medina, mãe de Giovani Medina, um dos mortos, disse que os policiais invadiram a casa onde os quatro garotos dormiam e os levaram para um terreno baldio para ser executados. O barracão tem apenas um cômodo com colchões espalhados pelo chão e fica no mesmo lote de outros barracos.
O terreno para onde foram levados, que fica ao lado do barraco, tem aproximadamente 50 metros de largura. Segundo ela, o primeiro a ser morto foi Eli de Oliveira, de 19 anos.
Sônia afirmou que todos eles estudavam, travalhavam como ‘‘laranja’’ (pessoas pagas por turistas para cruzar a Ponte da Amizade com mercadorias importadas do Paraguai) e nunca tiveram passagem pela polícia.
‘‘Isso que esses policiais fizeram foi um latrocínio. Além de matarem quatro crianças inocentes, ainda levaram uma televisão de 14 polegadas que estava na casa,’’ denunciou a dona-de-casa, chorando muito.
A cunhada de Ademilson Dias Mattos, Elisa Almeida Tavares, indignada, afirmou que os policiais deram mais de 20 tiros contra o muro, atingindo a cabeça e as costas dos meninos.
Elisa foi incisiva ao afirmar que houve uma execução. Segundo ela, quando os policiais revistaram o barraco não encontraram nada que justificasse a morte dos rapazes.

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