Guaíra - O comerciante Adelino Luis Pês, 57 anos, e a filha dele Silvana Maria Pês, 30 anos, acusam o comerciante Roque Fabiano da Silveira de ter mandado matar o ex-balseiro Jolcimar Luis Pés, o ''Jilsão'', 32 anos. Jilsão foi encontrado morto dia 8 de abril na margem do Rio Paraná, em Guaíra (141 km a sudoeste de Umuarama).
O pai e a irmã de Jilsão dizem que a morte dele foi queima de arquivo porque sabia demais e poderia comprometer Silveira e o empresário Milton Andreis, acusados de serem os mandantes das mortes de Quinto e Celso, tio e primo de Milton, assassinados em 1996. Pês conta que ele e Silvana também já foram ameaçados de morte e que o nome deles estariam na lista como os próximos a serem ''eliminados''. Por isso, decidiram contar tudo que sabem. ''Meu filho levou os segredos dele para o túmulo, mas eu não vou levar'', disse Pês em entrevista à Folha.
Testemunhas de acusação no processo que apura as mortes de Quinto e Celso, Adelino e Silvana Pês confirmaram em juízo que Jilsão transportou a mando de Roque Silveira os pistoleiros contratados para executar os empresários. Ambos confirmaram que Jilsão trabalhava para Silveira no transporte de mercadorias do Paraguai, onde o comerciante tinha lojas. Segundo Pês, o filho alegou não saber do que se tratava quando buscou e levou os pistoleiros de barco até a fronteira e foi reclamar depois com Silveira por tê-lo colocado naquela ''enrascada'', mas o patrão teria dito para ficar tranquilo que ''não daria nada''. Dos seis acusados do crime, apenas Jilsão foi preso e julgado.
No depoimento, Adelino e Silvana afirmam que Silveira pagou o advogado Carlos Alberto Dissenha, de Curitiba, para defender Jilsão e queria que ele desaparecesse. O advogado disse à Folha que recebeu os honorários do próprio cliente e nunca perguntou onde Jilsão conseguira o dinheiro para pagá-lo. Até quatro meses atrás Adelino Pês tocava uma lanchonete em São Alberto, no Paraguai. O próprio Silveira teria comprado a lanchonete para tirar Jilsão e a família de Guaíra. Depois do assassinato de Jilsão, Pês, a mulher e os três filhos voltaram para Guaíra.
Segundo Pês, antes de morrer Jilsão estava sendo procurado por dois homens, a mando de Silveira. ''O gilso chegou a comentar com a mãe dele que estava sendo vigiado''. Quando desapareceu, três dias antes de ser encontrado morto em Guaíra, Jilsão teria ido para Cidade do Leste, na fronteira com Foz do Iguaçu, atendendo chamado de um desses homens, apontado como ''braço direito'' de Silveira.
Silvana também alega que este homem deu informações contraditórias quando o procuraram para saber do paradeiro de Jilsão. Primeiro, ele teria dito que deixou o ex-balseiro na rodoviária de Cidade do Leste, depois, na rodovia para retornar a San Alberto. Silvana disse ainda que o outro possível envolvido foi visto no Paraguai com uma pistola 9 milímetros, o mesmo tipo de arma usado para matar Jilsão..
Pês disse que uma semana antes de depor no Fórum (dia 16 de agosto), o mesmo homem esteve na casa dele e alertou para tomar cuidado com o que ia dizer. Ele e a filha alegam que nunca contaram nada do que sabiam porque a família já havia recebido várias ameaças de morte. Quando foi preso, Jilsão chegou a confessar participação e citou os outros envolvidos. Mas tarde, alegou ter sido torturado pela polícia para confessar.

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