Testemunhas de crime sofrem com lembranças
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quinta-feira, 06 de julho de 2006
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
A violência deixa marcas que não são incluídas nas estatísticas policiais e são desconhecidas pela maioria. São as sequelas psicológicas, que podem ter efeito devastador se não tratadas corretamente. É justamente este o maior temor de Cíntia Fernanda Sodré Madureira, 26 anos, mãe de Rafaela, 4 anos, e Roberta, de 8 anos. No próximo dia 18 faz um ano que a família presenciou uma das cenas mais temidas por quem vive em uma cidade violenta: um homicídio, com uma das balas atingindo a perna da caçula.
Cíntia, o marido e as filhas tinham acabado de sair de um shopping, a poucos metros de onde o crime aconteceu, no Calçadão. Passava um pouco das 20 horas de uma segunda-feira fria, quando os gritos da pequena Rafaela (então com três anos) assustaram tanto quanto a imagem do verdureiro Maicon Araújo de Oliveira, 20 anos, caindo perto dos quatro, atingido por nove disparos de pistola 9 mm. As duas meninas, segundo a mãe, nunca mais tiveram um sono tranquilo, voltaram a fases já superadas da infância e enfrentam problemas de aprendizado na escola.
O mais preocupante, revela a mãe, é que as crianças não vêm recebendo a devida atenção do poder público. ''Pagamos tantos impostos, mas quando precisamos de assistência, parece que tudo se vira contra a gente. A minha filha tinha que ter feito fisioterapia, mas apesar do encaminhamento médico, nunca chegou a ser atendida. As sessões com a psicóloga, lá no Cismepar (Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema), não adiantaram de nada, chegou uma hora que eu resolvi não levar mais'', relata. A mãe conta ainda que depois de ser baleada, Rafaela voltou a usar fraldas e chupar chupeta.
Segundo Cíntia, as duas filhas têm medo de sair de casa à noite e com frequência acordam de madrugada chorando. ''Elas têm tido vários problemas de saúde, que eu acho que são de fundo emocional. A gente fica sem saber o que fazer'', contou ela, após retornar de mais uma consulta médica.
A diretora executiva do Cismepar, Ogle Bacchi de Souza, informou que a assistência pesicológica foi prestada à criança durante umas quatro ou cinco sessões, mas depois disso a mãe não a levou mais para atendimento. Com isso, a terapia proposta não foi concluída.


