Curitiba - As duas testemunhas apresentadas pelo soldado da Polícia Militar (PM), Ivan Luiz Camargo, confirmaram em depoimento ontem que o sargento Luiz Honório dos Santos fez um comentário racista sobre o soldado. Camargo afirma que sofreu discriminação racial no local de trabalho, em dezembro de 1998. Logo depois entrou com ação pedindo a condenação do sargento.
‘‘O sargento falou na presença de vários soldados que se ele fosse comandante-geral da PM não deixava ingressar nenhum negro, porque preto para ele só o do cuturno’’, afirmou Camargo. Na época ele trabalhava no policiamento do Fórum Criminal. Antes dos depoimentos, familiares e amigos de Camargo, que mora em Paranaguá, fizeram um protesto no centro de Curitiba.
Alexandre de Mello Morandin e Roberto Carlos da Silva foram ouvidos ontem na 11ª Vara Criminal de Curitiba. Morandin confirmou a versão de Camargo. ‘‘Nós estávamos batendo papo e ele realmente fez esse comentário. ‘‘Foi com maldade à raça negra. Vindo para um subordinado, é complicado’’, relatou.
O sargento negou que tenha sido racista. Segundo ele, não houve nenhuma conversa com os soldados. ‘‘Tenho parentes que são negros. Como é que eu vou falar uma coisa dessas?’’, relatou. Ele disse que a acusação é uma armação. ‘‘Liguei para o soldado Camargo trocar com outro soldado que não tinha condições de trabalho.’’ O sargento diz que Camargo o substituiu e nada mais ocorreu.
O Comando Geral da PM informou que a corporação tem cursos de Direitos Humanos e uma legislação interna que repudia racismo e que a PM nunca teve um problema desses em 147 anos de existência. ‘‘Se o soldado entrou com ação é uma questão particular, não institucional’’, afirmou o tenente-coronel David Antônio Pancotti.
De acordo com o advogado de Camargo, Luiz Antônio de Souza, o sargento pode ser enquadrado no crime de injúria racial, com pena prevista de até dois anos de reclusão. A sentença será dada após o depoimento das testemunhas de acusação, que ainda não foi marcado. Souza disse que posteriormente pedirá indenização pela discriminação, de acordo com as provas colhidas no processo criminal.

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