Osmani Costa
De Londrina
‘‘Os policiais me deram uma coronhada de revólver no estômago, empurrões e vários golpes de cassetetes. Além disto, torceram meu braço com força e me xingaram de macaco, vagabundo e filho da p. Esta declaração é parte do depoimento que o carregador Edson Luciano, 27 anos, prestou na tarde de ontem ao presidente do Inquérito Policial Militar (IPM), major José Cesário de Paulo.
O IPM investiga as responsabilidades e excessos de policiais militares (PMs) na repressão a um protesto realizado por moradores de bairros da zona leste de Londrina, no dia 6, contra a insegurança no trânsito e o atropelamento do estudante Diogo Bueno, 13 anos. A violência de integrantes da Tropa de Choque e da Ronda Ostensiva de Natureza Especial (Rone) do 5º Batalhão da PM terminou com 18 pessoas presas – e liberadas em seguida – e várias outras feridas por tiros de bala de borracha e golpes de cassetetes, incluindo três repórteres.
Edson Luciano, que apenas assistia a manifestação, foi um dos presos durante os incidentes dos policiais com os populares. ‘‘Eu não tinha a ver com o protesto, apesar de considerá-lo correto. Estava lá porque tenho uma irmã que mora perto do local, na Vila Yara. Os policiais foram muito violentos, já chegaram chutando e batendo na gente’’, reclamou o carregador, que disse ter ficado na 10ª Subdivisão Policial (SDP) cerca de oito horas.
O serralheiro Marcos Antonio dos Santos Rocha, 20 anos, foi outro dos quatro presos no incidente que ontem prestaram depoimento como testemunha. Também de acordo com ele, os PMs agiram com excesso de violência contra os populares. ‘‘Fui agredido na barriga com a ponta de um cassetete. Os policiais nos xingaram e ameaçaram durante a prisão e no interior da 10ª SDP. Fiquei muito assustado, porque nunca havia sido preso antes’’, ressaltou ele.
O major José de Paulo disse que ouvirá hoje outras testemunhas e que na próxima fase do IPM tomará os depoimentos das pessoas que foram feridas durante a ação policial. Na terceira fase, ele ouvirá os PMs indiciados como responsáveis pelas agressões. O major, que é subcomandante do 15º Batalhão da PM de Rolândia (25 km a oeste de Londrina), tem 45 dias para concluir o inquérito. Ele não quis comentar o teor dos depoimentos de ontem.

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