Osmani Costa
De Londrina
Seis moradores da Vila Yara (zona leste de Londrina), que testemunharam na semana passada os incidentes entre policiais militares (PMs) e pessoas que protestavam contra o atropelamento de um estudante serão ouvidos na tarde de hoje pelo major José Cesário de Paulo, que preside o Inquérito Policial Militar (IPM) que investiga as responsabilidades e supostos excessos de aproximadamente 65 integrantes da Tropa de Choque e da Ronda Ostensiva de Natureza Especial (Rone) do 5º Batalhão da PM.
As audiências para inquirições serão realizadas numa sala da Rádio Patrulha, no Terminal Rodoviário, onde o major e subcomandante do 15º Batalhão da PM de Rolândia (25 km a oeste de Londrina) está sediando o IPM, que deverá estar concluído em 45 dias. ‘‘Estas serão as primeiras audiências, de dezenas que teremos que realizar. Depois das testemunhas, na segunda fase ouviremos as pessoas que foram feridas, entre elas profissionais da imprensa. Na fase final, tomaremos os depoimentos dos PMs que estão sendo indiciados como responsáveis pelas agressões’’, comentou o major José de Paulo.
Os depoimentos não serão abertos à imprensa. O major adiantou ainda que requisitará, nos próximos dias, as fitas de vídeo das emissoras de TV que registraram a ação violenta dos PMs na repressão ao protesto dos moradores da Vila Yara. O incidente ocorreu na noite de segunda-feira da semana passada. Na noite anterior, o estudante Diego Bueno, 13 anos, havia sido atropelado quando tentava atravessar a BR-369 (Avenida Brasília no perímetro urbano). A intervenção dos PMs resultou em 18 pessoas presas – e liberadas logo em seguida – e várias outras feridas por tiros com balas de borracha e golpes de cassetetes, incluindo três repórteres. O major José de Paulo disse ontem que ainda não tinha conhecimento do teor do pronunciamento do comandante geral da PM do Paraná, coronel Guaraci Moraes Barros, sobre o caso.

mockup