Testemunha viu Voltolini com arma
Testemunha viu Voltolini com arma
Prima da menina morta com tiro de espingarda no Centro de Curitiba diz ter visto acusado com arma na mão
Mauro FrassonJúriJulgamento do comerciante Mariano Voltolini, preso desde a época do homicídio, começou ontem de manhã no Tribunal do Júri de CuritibaFranciele de
Oliveira, de 10 anos,
foi morta dia 31 de
dezembro de 1996
James Alberti
Uma prima da menina Franciele de Oliveira, morta com um tiro de espingarda no dia 31 de dezembro de 1996, confirmou ontem que viu a arma nas mãos do comerciante Mariano Antônio Voltolini na janela do brechó Mundo Teatral, na Rua Visconde de Nácar, de onde teria ocorrido o disparo. Ela foi a mais importante das duas testemunhas de promotoria, no julgamento do comerciante que começou ontem de manhã no Tribunal do Júri de Curitiba. A expectativa era de que a sentença fosse anunciada por volta da meia noite ou nas primeiras horas da manhã de hoje.
A prima, que tem 16 anos, foi a única a falar com Franciele depois do tiro. Ela disse para eu mandar um beijo para a avó, contou. Foram os momentos de maior silêncio no plenário, um contraste com as tiradas do espirituoso juiz Luiz Zarpelon, que durante todo o julgamento fez críticas à sociedade, à Justiça e até mesmo à Assembléia Legislativa do Paraná, colhendo risos do auditório.
Franciele e a prima, que vendiam doces e flores em sinaleiros, tinham perdido o ônibus para casa e olhavam a vitrine da loja de Voltolini quando houve o disparo. Minutos antes, disse a prima, elas tinham visto meninos jogando pedras na vitrine da loja.
A acusação contou ainda com o depoimento do 2º tenente da Polícia Militar Julian Bayer Gonçalves. Ele disse que o comerciante confessou o crime logo após o disparo que atingiu as costas da criança e negou as agressões que Voltolini diz ter sofrido dos policiais. Segundo o soldado, Voltolini teria afirmado que atirou para assustar. As agressões porém foram confirmadas por todas as outras testemunhas, a exceção do ex-policial militar Celso Nei Chaves, que depôs para a defesa.
O comerciante está preso desde a época do homicídio. Primeiro a depor, ele reafirmou que é inocente e que foi espancado pela Polícia Militar. O advogado do réu, Osmann de Oliveira, defende que não foi seu cliente o autor do crime. Oliveira também defendeu Celina e Beatriz Cordeiro Abagge no Caso Evandro, onde a negativa de autoria e confissão sob tortura prevaleceram.
Testemunha principal da defesa, o perito criminal Ari Ferreira Fontana, ex-diretor do Instituto de Criminalística de Curitiba, disse que de nada vale o exame com parafina que atestou que Voltolini tinha resíduos de pólvora nas duas mãos. Quando fui diretor eu extingui esse exame porque é ineficiente, disse ele, que se aposentou em 1991.





