Paulo WolfganfgÀ esperaAdyr Bonfim durante o julgamento: advogados tentam provar que crime foi em legítima defesa O julgamento do advogado Adyr Nestor Bonfim e do irmão dele, José Bueno Bonfim, realizado no Tribunal do Júri do Fórum de Londrina, tinha previsão para terminar somente na madrugada de hoje. Adyr matou, em maio de 1994, Luiz Gonçalves Barbosa com duas facadas no pescoço, além de um golpe, com pedaço de ferro, na cabeça da vítima. José Bueno teria ajudado o irmão a ocultar o cadáver.
Um dos motivos para o atraso do julgamento, que começou ainda na parte da manhã, foi o não comparecimento da testemunha Fernando Milani de Moura, médico legista do Instituto Médico Legal (IML) de Londrina, arrolado pela defesa para explicar o laudo de necrópsia. Os advogados pediram tempo de quinze em quinze minutos, na esperança de que o médico comparecesse, o que não aconteceu.
Com isso, o Júri permaneceu parado por aproximadamente duas horas. A leitura de todos os autos do processo, feita a pedido do promotor Janderson Iassaka, também contribuiu com o atraso: durou mais de cinco horas.
A defesa de Adyr Nestor Bonfim e seu irmão, José Bonfim, ficou a cargo dos advogados Marcelo Leal, Walter Bittar (ambos de Londrina) e Expedito Zanotti (Apucarana). As três testemunhas, todas conhecidas do réu, começaram a ser ouvidas por volta das 17 horas.
O crime julgado ontem aconteceu no dia 14 de maio de 1994, na casa onde a vítima e o acusado moravam, no Vale do Reno (zona sul). Pelos autos, Bonfim teria batido violentamente contra a cabeça da vítima, com um objeto de ferro, e depois desferiu dois golpes de faca no pescoço dela. Em seguida, tentou esconder o cadáver, levando-o para uma estrada secundária de Faxinal, onde ateou fogo no corpo.
O réu alegou ter cometido o crime porque sofreu assédio sexual de Barbosa: ele estava dormindo quando foi surpreendido pela vítima, que estava núa, ajoelhada sobre sua cabeça. Adyr contou ainda que Barbosa tentou atacá-lo com a faca e houve luta corporal entre os dois. Na confusão, ele segurou a mão do agressor e empurrou a faca contra o pescoço dele.
O trio de advogados defendia que, como houve luta corporal entre o acusado e a vítima, o crime aconteceu por legítima defesa. Eles também tentavam mostrar, através das testemunhas, que o réu não era uma pessoa violenta e não seria capaz de matar alguém se não fosse numa situação extrema.
Tanto Adyr quanto José Bueno já tinham sido julgados pelo mesmo crime em 1995, quando o advogado foi condenado por homicídio privilegiado, pegando sete anos de reclusão em regime semi-aberto e multa de R$ 1 mil. José Bueno, na ocasião, foi absolvido. Mas a Justiça considerou que houve erro processual e anulou o julgamento.
O motivo da anulação do primeiro julgamento foi a não observância do quesito ‘‘crueldade’’ na avaliação do crime. Se isso tivesse acontecido, o crime poderia ter sido transformado em homicídio qualificado, em que as penas variam entre 12 e 30 anos de reclusão. Segundo Expedito Zanotti, a defesa iria tentar provar que o motivo do crime não foi fútil e muito menos houve crueldade por parte de seu cliente.
Assim como no primeiro julgamento, ontem também foi a utilizada a computação gráfica para a reconstituição do crime. Esse recurso poucas vezes foi utilizado em tribunais. O Tribunal do Júri volta a se reunir semana que vem.

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