Testemunha está ameaçada de morte
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quinta-feira, 23 de outubro de 1997
Antônio França Foz do Iguaçu 
Ney de SouzaExumaçãoCaixão é retirado de cova para a exumação dos corpos de rapazes mortos em favela de Foz do IguaçuO menor A.B.R., de 16 anos, principal testemunha da operação policial que resultou na morte dos adolescentes Eli de Oliveira, 19 anos; Adenilson Dias de Matos, 17; Arnaldo Oziel Mongelos, 16, e Giovani Medina, 15 anos, na Favela Monsenhor Guilherme, em Foz do Iguaçu, está ameaçado de morte. No seu depoimento, ele afirmou que os adolescentes foram executados por agentes da Polícia Civil.
A denúncia foi feita ontem pelo presidente do Centro de Direitos Humanos (CDH), Romeu Olmar Klich, que abrigou o adolescente em uma igreja católica da cidade. O coordenador criminal do Ministério Público do Paraná, promotor Dartagnan Abilhoa, que acompanhou a exumação dos corpos dos quatro rapazes ontem à tarde, disse que a testemunha está com seguro de vida. Se ocorrer alguma coisa com esse rapaz, vamos pedir a prisão dos policiais, alertou.
Nenhum dos três promotores de Foz do Iguaçu envolvidos nas investigações paralelas do Ministério Público confirmou que também estavam sendo ameaçados. Esse assunto não pode ser comentado por nós e é de competência do coordenador criminal do Ministério Público, desconversou o promotor da Infância e da Adolescência, Ourival dos Santos Filho.
Com base em informações de testemunhas e familiares das vítimas de que houve execução dos rapazes, o CDH defendeu a interferência federal nas investigações. Segundo Klich, por se tratar de crime de violação dos direitos humanos, as investigações deveriam ser feitas pela Polícia Federal. Porém, o coordenador criminal do Ministério Público descartou essa possibilidade.
Segundo testemunhas, os policiais que participavam da operação procuravam pelo menor A.B.R. Ele conta que se escondeu no forro e acompanhou todos os passos da operação por uma fresta. Os policiais tiraram todos os meninos da casa e algemaram. Colocaram um em cima do outro e passou um radioamador para outro agente que estava na parte de cima da favela e mandou que eles fossem removidos do local onde estavam. Um minuto e meio depois, começaram os tiros, disse ele. Segundo a testemunha, nenhum dos rapazes reagiu à prisão.
Além de A.B.R., a polícia tem informação de que outro rapaz com problemas mentais teria assistido o tiroteio. Porém, o delegado responsável pelas investigações, Altino Remi Gubert, disse que o seu depoimento não será anexado ao inquérito por considerá-lo duvidoso. Na semana que vem, segundo Gubert, os policiais envolvidos na operação deverão prestar os primeiros depoimentos.
RecolhidosO corregedor geral da Polícia Civil, Paulo Ernesto da Cunha, disse ontem em Foz do Iguaçu que vai acompanhar o andamento do inquérito policial que apura a morte dos quatro rapazes. Ele garantiu que as investigações serão transparentes e disse que, caso fique comprovado que houve execução, os policiais vão ser indiciados e julgados pela Justiça comum.
Cunha anunciou que os oito investigadores e o delegado responsável pela operação, Donizete Botelho, ficarão recolhidos na Divisão de Policiamento do Interior, em Curitiba. Segundo ele, na semana que vem o Conselho da Polícia Civil deve avaliar o laudo do delegado corregedor Clóvis Galvão, que apontou que a operação foi malconduzida e que os policiais infringiram regras da polícia.


