Testemunha do assassinato volta atrás
Delegado diz que provas do inquérito indicam que os primeiros acusados são inocentes, mas eles ainda continuam presos
Michelotto nega que polícia tenha errado ao
fazer as prisões
logo em seguida ao crime
James Alberti e
Eliane Eme Sato
Mauro FrassonDúvidaLéo Henrique Dias, primeiro acusado do assassinato do cobrador, vai continuar preso até que juiz decida quem é o culpadoUma testemunha que havia indicado Léo Henrique Dias, 23 anos, e o menor M.A.S., 17 anos, como autores do assassinato do cobrador Benardino Alves de Melo, ocorrido há duas semanas, voltou atrás ontem e reconheceu André Almeida Cabral como o autor do disparo. Cabral confessou o crime, que teria a participação dos irmãos Ricardo Luiz, 18 anos, e Osmar Givanildo Luiz, 21 anos.
O delegado do 7º Distrito Policial, Marcus Michelotto, disse que as provas do inquérito indicam que Leo e o menor, presos desde o dia seguinte ao crime, são inocentes. ‘‘Acredito que houve engano por parte das testemunhas’’, disse. Ele negou que a polícia tenha errado, já que fez as prisões ‘‘baseado nas testemunhas.’’
Apesar disso, o crime vai continuar tendo dois autores até que um juiz da Vara Cívil determine quem deve ser denunciado pelo assassinato. Michelotto, responsável pelo inquérito, disse que manda hoje o processo ao Ministério Público. Até a decisão, cinco pessoas vão continuar presas. ‘‘Será uma tarefa árdua para o juiz desfazer essa confusão’’, reconheceu Michelotto.
O motorista Ernesto Ribeiro dos Santos, que presenciou o crime, não reconheceu os três jovens como os autores do disparo. ‘‘Como posso reconhecer? De noite mistura tudo’’, disse em depoimento ao delegado Kiyoshi Hattanda, do 8º Distrito Policial, onde estão presos os três novos acusados. O testemunho de Santos era a principal peça que sustentava a acusação contra Léo e o menor.
Já Léo e o menor tinham sido reconhecidos pelo motorista e outras três testemunhas - dois passageiros que estavam no ponto de ônibus e um que estava dentro do ônibus. Uma das testemunhas que estava no ponto de ônibus foi submetida ao reconhecimento dos três novos suspeitos e acabou reconhecendo Cabral como o autor. A outra não reconheceu nenhum dos três, disse o delegado.
O delegado Hattanda, por sua vez, diz que não tem nenhuma dúvida de que os autores do crime são os três rapazes presos anteontem. ‘‘Eles contaram com detalhes o assassinato sem deixar sombras de dúvidas’’. No depoimento, eles afirmaram que dispararam um tiro contra o cobrador porque ele reagiu, usando uma faca.

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