Testemunha detalha supostos desvios na Cipasa
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de julho de 2004
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Uma testemunha confirmou ontem ao delegado do 1º Distrito Policial (DP) de Londrina, Marcos Belinati, que havia um esquema de desvio de dinheiro dentro da concessionária Cipasa, local do assassinato do proprietário da empresa, Ciro Frare, 67. De acordo com o delegado, a testemunha prestou depoimento pela segunda vez e afirmou que os desvios variavam de R$ 5 mil a R$ 90 mil mensais.
Segundo Belinati, no depoimento, a testemunha garantiu que 50% do que era desviado ficava com Ibrain José Barbino, 55 anos, diretor-geral da empresa e autor confesso da morte de Frare. O restante, segundo ele, seria dividido em partes iguais entre outros funcionários. Ainda ontem, o delegado ingressou na Justiça com pedido de quebra dos sigilos bancário e fiscal de quatro funcionários de alto escalão da Cipasa.
Para o delegado, há indícios cada vez mais evidentes de que o assassinato de Frare tenha ligação com um suposto esquema de desvio que estaria ocorrendo desde 2000 na empresa e que já teria provocado um desfalque de cerca de R$ 3,7 milhões. O empresário foi morto com um tiro no dia 24 de junho pelo então diretor-geral, que responde ao inquérito em liberdade. Segundo Belinati, a devassa que está sendo realizada nas contas da empresa e o depoimento da testemunha comprovariam a existência do esquema e que o autor confesso do homicídio tinha conhecimento dos fatos.
Belinati argumentou que tomou a medida de pedir quebra de sigilo o que já havia feito contra Barbino por haver indícios do envolvimento de outros funcionários no suposto esquema na Cipasa. O delegado também deverá convocar, nos próximos dias, o responsável por um hotel no centro da cidade, onde Barbino teria se escondido para se livrar do flagrante momentos depois do crime. ''O responsável pode ser indiciado por favorecimento pessoal a um autor de crime'', observou.
O advogado da família de Frare, Walter Bittar, informou ontem que a auditoria iniciada dias depois do crime já teria confirmado o desvio. Segundo ele, faltaria desvendar apenas a extensão dos desvios e quantos funcionários estariam envolvidos. ''Já temos a confirmação de que existem pelo menos quatro pessoas envolvidas. Esperamos concluir os trabalhos em 30 dias para depois impetrar uma representação criminal contra os envolvidos'', revelou. Ele disse que o esquema teria sido construído de forma a dificultar a apuração, já que muitos documentos contábeis importantes desapareceram.
Bittar preferiu não detalhar em que setor da empresa ocorreram os supostos desvios, para não comprometer os bons funcionários. ''Barbino, com certeza, sabia do problema'', destacou o advogado, reafirmando que Frare desconfiava mais de erro do que de golpe. No depoimento de Alexandre Frare, um dos filhos da vítima, ele declarou que o pai teria passado a desconfiar que Barbino tinha conhecimento do que estava ocorrendo. ''Ele apenas queria saber de tudo, até porque um funcionário com 37 anos você não pode mandar embora de uma hora para outra'', afirmou Bittar.
Conforme Belinati, Alexandre teria comentado em seu depoimento, prestado após o início da auditoria, que ''Ibrain teria montado uma quadrilha dentro da Cipasa''. A Folha entrou em contato com o defensor de Barbino, advogado Antônio Amaral, mas sua secretário informou que ele estava viajando e só poderia atender a reportagem hoje.


