James Alberti
De Curitiba
O eletrotécnico Gilson Ney Ganzert, que aparece como testemunha nos registros falsos do casal de gêmeos adotados ilegalmente pelo deputado estadual Edson da Silva Praczyk (PL), já foi condenado duas vezes pela Justiça de Araucária, Região Metropolitana de Curitiba, e cumpre pena, em regime aberto, por falsidade de documento público e de identidade. Ganzert ainda responde outro processo – por usurpação, roubo e formação de quadrilha –, que tramita na 7ª Vara Criminal de Curitiba.
O eletrotécnico e o relações públicas Paulo Ronaldo de Andrade, 42 anos, são as duas testemunhas usadas pelo deputado nos registros dos bebês. Os documentos foram feitos no cartório Distrital do bairro Uberaba, em Curitiba, em 22 de dezembro do ano passado, um dia depois da crianças terem sido retiradas da mãe biológica, Marisa de Souza Taborda da Maia, 35 anos.
Conforme informações do Fórum de Araucária, o eletrotécnico foi condenado há um ano de prisão e pagamento de multa, por furto qualificado, na ação penal número 92 de 1990. A pena foi cumprida em regime aberto. Em 1992, Ganzert voltou a ser processado, por furto simples, mas foi inocentado.
No ano seguinte, o eletrotécnico foi condenado há dois anos de detenção (regime aberto) e três meses de reclusão (regime fechado), além de outra multa, por crime de falsidade de documento público e de identidade, entre outros. Segundo um funcionário do Fórum, Ganzert cumpriu os três meses de reclusão e ainda cumpre a pena de dois anos de detenção.
A tabeliã do cartório do bairro Uberaba, Patrícia Lazzarotto, afirmou ontem que não lembra das pessoas que fizeram os registros ou as que se apresentaram como testemunhas. Segundo ela, geralmente os pais das crianças se fazem acompanhar de conhecidos para fazer os registros. A outra testemunha de Praczyk não responde por nenhum crime, segundo apurou a Folha.
O deputado, que é pastor da Igreja Universal do Reino de Deus e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Paraná, é acusado de dar material de construção e cestas básicas em trocas dos bebês. Praczyk negou o comércio da crianças, mas confessou anteontem, em depoimento na Assembléia Legislativa, ter registrado como seus e da mulher Rosária Tobias Praczyk, os filhos da dona de casa e do operário Natálio Firszt, de Campo Largo. O registro falso é crime previsto no artigo 242 do Código Penal.
Apesar do deputado negar, Marisa afirmou ao Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), em fevereiro deste ano, que tinha recebido material de construção e cestas básicas. Parte do material foi, inclusive, filmado por canais de televisão.
O delegado do Sicride, Harry Herbert, reafirmou ontem que só irá se manifestar depois da conclusão do inquérito, o que deve ocorrer, segundo ele, em dez dias.

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