Paulo Pegoraro
De Cascavel
Rafael Walenga, 22 anos, está desaparecido há 43 dias e sua mãe, Dalvina Walenga de Souza, 38 anos, teme que ele tenha sido assassinado. O rapaz tornou-se conhecido por insistentes acusações contra policiais de Cascavel que estariam envolvidos com o crime organizado, inclusive tráfico de drogas. Walenga é tido como uma espécie de ‘‘Pixote’’, pois muitos na cidade comparam sua história com a do personagem do filme (produzido e dirigido por Hector Babenco), o menor infrator Fernando Ramos da Silva, assassinado por policiais em Diadema (SP), em 1987.
Walenga, que teve inúmeras passagens pela polícia quando menor por furto e, principalmente, por uso de drogas, foi depoente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa que investiga o crime organizado. Informalmente, também foi ouvido por membros da mesma CPI nacional. Além disso, depos na Promotoria de Investigações Criminais do Paraná e na Justiça Federal e Ministério Público (MP) Estadual em Cascavel. Em suas acusações, ele citou vários investigadores, escrivães e delegados de Cascavel, sendo que muitos deles já não estão mais na cidade.
Há cerca de um ano, Walenga fazia acusações com alguma cautela, mas depois passou a fazê-las abertamente, dizendo que havia ‘‘perdido o medo’’ e que não desistiria enquanto não visse os acusados presos. Alguns policiais o teriam coagido. Exigiam que roubasse tocas-fitas e e outros objetos e repassassem a eles. Em fevereiro, circulou uma carta aberta na cidade com sua assinatura acusando dezenas de pessoas conhecidas, entre elas autoridades, políticos e empresários, como envolvidas com tráfico ou uso de drogas e outros crimes.
Wallenga disse à Folha, pouco antes de desaparecer, que a carta não era de sua autoria e a assinatura teria sido transferida (por fotocópia) ‘‘possivelmente de um depoimento que tive que dar na polícia’’, além de ter especulado que os autores da carta poderiam ser policiais.
‘‘Seria para me jogar contra todos e fazerem crer que eu sou maluco’’. Wallenga disse também que estava sendo ameaçado por policiais. A Folha confirmou ontem com o Ministério Público que ele havia pedido garantias de vida e que, durante alguns dias, policiais militares foram designados para protegê-lo.
O deputado estadual Edgar Bueno (PDT) informou ontem ter comunicado o desaparecimento do rapaz ao secretário de Segurança Pública, José Tavares. ‘‘Não podemos aceitar que a história do Wallenga tenha o mesmo desfecho que a de Pixote’’, comentou. ‘‘O fato de ele ter sido um infrator contumaz não justifica a omissão em investigar seu paradeiro, o que já poderia estar sendo feito pela Polícia local’’.
O delegado-chefe da 15ª Subdivisão Policial, Haroldo Davison, tem outra opinião. ‘‘É um alívio para toda a população de Cascavel que ele tenha desaparecido’’, afirmou.

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