Marcelo AlmeidaRibas: ‘‘Nenhuma testemunha pode sozinha convencer os jurados’’O médico legista Raul de Moura Rezende, uma das testemunhas da acusação do Caso Evandro, se suicidou anteontem de manhã com um tiro na cabeça. Ele se matou às 10 horas dentro de seu carro, estacionado em frente ao Cemitério Parque Iguaçu, em Curitiba. Segundo amigos da família, Rezende estava depressivo porque sua mãe está com câncer em fase terminal. O médico, que tinha 42 anos, deveria comparecer ao Fórum de São José dos Pinhais neste final de semana para ser interrogado. Foi ele quem examinou Celina e Beatriz Abagge no dia 3 de julho de 1992 e atestou que as rés não apresentavam lesões corporais que denotassem tortura ou qualquer outro tipo de agressão física.
Ontem, tanto os advogados de defesa quanto os de acusação evitavam admitir que a morte de Rezende possa provocar uma reviravolta no caso. O promotor Celso Ribas afirmou que Rezende não era considerado uma testemunha-chave. ‘‘Todas as testemunhas são importantes e não há nenhuma que possa sozinha convencer os jurados’’, disse.
Marcelo AlmeidaRezende usou um revólver calibre 32 para dar um tiro na cabeça
Apesar de não ser admitido publicamente, o depoimento do médico legista era considerado pela acusação uma forte arma para derrubar o principal argumento da defesa, que afirma que as rés somente confessaram o crime porque foram torturadas. No laudo, Rezende descrevia a existência de apenas um corte de dois centímetros de extensão no lado externo do olho direito de Beatriz e pontos pretos entre os dedos polegar e indicador das maõs. Em Celina, o médico teria observado apenas um corte de meio centímetro no lado esquerdo da base do pescoço, contrastando com as afirmações da defesa de que as rés teriam recebido socos, pontapés e choques elétricos.
Mesmo com a ausência do depoimento do médico-legista, o promotor acredita que a acusação não sofrerá qualquer abalo. ‘‘Outro médico legista que também acompanhou o exame já havia sido arrolado como testemunha e poderá prestar os mesmos esclarecimentos’’, disse Ribas, referindo-se ao médico Manabu Jojima. Para a defesa, no entanto, o depoimento de Jojima não terá qualquer efeito porque o legista não assinou o laudo médico. ‘‘Legalmente ele é um zero à esquerda’’, afirmou Antonio Figueiredo Basto, advogado das rés.

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