Vítima leve do acidente que matou uma pessoa e feriu outras 23 na tarde de domingo na Universidade Estadual de Londrina (UEL), a estudante gaúcha Yole Chapman voltou ontem ao anfiteatro do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (Cesa) para contar à imprensa o que viu do desmoronamento da marquise. De acordo com o perito-chefe do Instituto de Criminalística, Daniel Felipetto, a descrição do acidente é coerente e a hipótese do acúmulo de água na laje da marquise ainda não foi descartada, ao contrário do que afirmou anteontem o engenheiro de segurança da UEL, Paulo Roberto de Oliveira.
No acidente, a marquise do anfiteatro, de cerca de 37 metros quadrados, desabou sobre um grupo de estudantes que fazia inscrições para um congresso de zoologia. João César Eugênio de Bôscoli Rios, 21 anos, morreu na hora. Dois jovens tiveram membros amputados e vários outros sofreram traumatismos e fraturas graves.
Yole disse que decidiu conceder entrevistas para evitar que supostos culpados pelo acidente fiquem ''impunes''. ''Vim só hoje (ontem) porque na segunda estava com muito medo. Mas na terça, quando visitei alguns colegas no Hospital Universitário (HU), fiquei sabendo que a imprensa estava procurando testemunhas para o acidente e resolvi falar'', explicou.
Descrevendo o acidente com detalhes, a estudante disse ter encostado no pilar que sustentava a marquise, minutos antes do desabamento. ''Quando reparei, vi que minha bolsa estava encharcada e que estava escorrendo uma água escura pelo pilar. Avisei as pessoas em volta, mas ninguém deu bola'', disse. ''Logo depois, algumas pedrinhas começaram a cair e, na sequência, veio tudo abaixo.'' Yole disse ter fugido para dentro do prédio, depois de ter sido atingida na cabeça por uma pedra maior, sem gravidade.
Informado sobre o conteúdo do depoimento da estudante, Felipetto considerou o relato ''coerente''. Contrariando a afirmação feita pelo engenheiro de segurança da UEL, Paulo Roberto de Oliveira, ele reforçou a posição de que a polícia não descartou a possibilidade de que o acúmulo de água possa ter derrubado a marquise. ''Em teoria, a laje tinha capacidade para suportar até 7 toneladas de água, mas tinha somente 1,5 tonelada. Isso não significa, no entanto, que a quantidade não era excessiva. Estamos refazendo os cálculos do projeto justamente para averiguar esta questão'', afirmou. Oliveira não foi encontrado pela reportagem para responder à questão.
Representantes do Conselho de Engenharia e Arquitetura do Paraná (Crea-PR), do Clube de Engenharia de Londrina (Ceal) e da comissão mista criada pela UEL para apurar o acidente visitaram o anfiteatro pela manhã, mas não puderam se aproximar do prédio por questões de segurança. A arquiteta Angela Canabrava Buchmann, do Crea, informou que o conselho já designou o coordenador da câmara de engenharia civil da entidade, José Ladaga, para acompanhar a comissão mista.

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