Londrina

Josoé de CarvalhoVersãoEdmar Mattos: ‘O Gol passou por mim e atropelou a menina’O autônomo Edmar Mattos, 23 anos, negou ontem qualquer participação na morte da estudante Vanessa Maia, 18 anos, ocorrida na madrugada do dia 15, na avenida Tiradentes (zona oeste). Ela morreu ao ser atropelada por um Gol, conduzido por Marcelo Matos Coutinho, 21 anos, que, segundo testemunhas, estaria participando de um racha com o autônomo. Edmar Mattos estava dirigindo um Escort.
Ontem à tarde, Mattos e o passageiro do Escort, o comerciante Willian da Silva Anastácio, 23 anos, foram interrogados pelo delegado de Acidentes de Trânsito, Valter Martins Lemos, responsável pelo inquérito. Apesar do advogado Odair Cirini afirmar que a dupla prestou depoimento apenas como testemunha, o delegado esclareceu que Mattos e Coutinho estão indiciados pelo crime. Willian é apenas testemunha.
Mattos relata que, na madrugada do dia 15, próximo ao local do crime, viu o carro de Coutinho. ‘‘O Gol passou por mim e atropelou a menina’’, conta. Ainda de acordo com a versão do autônomo, ao notar que aconteceu o atropelamento, parou o carro, deu ré e perguntou para algumas pessoas se precisavam de ajuda. ‘‘Falaram que estava tudo OK e fui embora’’, diz.

Josoé de CarvalhoTranquilidadeEdmar Mattos conversa com Willian Anástico: sem contradiçõesO autônomo afirma que só ficou sabendo que era suspeito de participação de um racha no domingo, quando já estava em Campinas (SP), onde mora e trabalha. ‘‘Se soubesse que estavam me envolvendo no caso, eu teria ficado em Londrina para esclarecer tudo’’, afirma.
Apesar de confirmar que seu Escort é turbinado (o que torna o veículo mais potente e, consequentemente, mais rápido), Mattos afirma que nunca participou de um racha. ‘‘O meu carro não é para racha’’, ressalta. Ele explica que o veículo é turbinado há três anos e que nunca teve problemas com a polícia por este motivo. ‘‘Nunca falaram que é proibido.’’
Sobre Coutinho, o autônomo acredita que ele não estava disputando um racha. Na sua opinião, o atropelamento ocorreu por falta de visão. ‘‘Era muito escuro e ele também estava em uma subida’’, observa. Ele não soube dizer qual seria a velocidade que Coutinho trafegava. ‘‘Eu estava a uns 70 km/hora’’, afirma.
O comerciante confirmou a versão de Mattos. Ele afirma que passaram em frente ao Parque de Exposições Ney Braga, onde estava acontecendo o Rodeio Universitário. ‘‘Como estava acabando, resolvemos ir embora.’’
Tanto Willian como Mattos aparentavam estar bastante tranquilos e responderam às perguntas da imprensa sem vacilar. Segundo o delegado, ambos deram informações bastante detalhadas sobre o que aconteceu. ‘‘Não houve contradição’’, observa Valter Lemos. O interrogatório de Mattos durou cerca de uma hora. Willian respondeu às perguntas do delegado em aproximadamente 40 minutos.
O delegado Lemos relata que todas as pessoas que prestaram depoimento até agora afirmaram taxativamente que estava acontecendo um racha no local do atropelamento. Ontem à tarde, ele ainda iria tomar o depoimento do vigia do Motel Scala, José Fernando Januário, que também teria visto o acidente, mas ele não compareceu. O depoimento foi marcado para hoje, às 9 horas.
Mesmo com a confirmação do autônomo de que seu veículo é turbinado, o delegado irá solicitar uma perícia do Escort ao Instituto de Criminalística. Na sua opinião, o fato do carro ser turbinado chama a atenção. Além disso, ele quer checar se o Escort teve qualquer envolvimento no acidente. O Escort será entregue na delegacia hoje, às 14 horas.

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