O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou no início do mês a lei que torna obrigatório o exame de Emissões Otoacústicas, mais conhecido como teste da orelhinha. Em Londrina, a Maternidade Municipal já realiza o procedimento desde 2002. Até 2009, foram feitos 23.585 testes - em média de 280 a 300 por mês.
O exame da orelhinha é uma triagem que deve ser feita após 24 horas do nascimento do bebê ou, no máximo, até o seu sexto mês de vida. A duração é de 5 a 10 minutos, não apresenta contra-indicação e não causa nenhum incômodo ao recém-nascido.
Seu principal objetivo é detectar problema auditivo que, se não tratado a tempo, pode levar a criança a surdez. A incidência dessa deficiência nos pequenos que chegam ao mundo é alta, quando comparada a outros testes conhecidos e também de grande valia como o do pezinho. Estatísticas revelam que em cada mil rebentos, três apresentam algum tipo de perda auditiva. No caso do teste do pezinho, esse número é de um para mil.
Do total de exames realizados até hoje na Maternidade Municipal de Londrina, 15 crianças foram diagnosticadas com deficiência auditiva e estão em tratamento. Segundo a fonoaudióloga responsável pelo exame na Maternidade, Letícia Werner Fávaro, a maioria dos bebês nasce com uma secreção no ouvido, o que é normal.
Se a criança não passar na primeira triagem, é marcado reteste para 15 dias. Caso o problema persista, passa por mais uma avaliação após 15 dias, para o médico confirmar se o organismo não eliminou essa secreção. Não obtendo bons resultados nessas avaliações, o médico encaminha o bebê para o Instituto Londrinense de Educação de Surdos (Iles), que dispõe de todos os equipamentos necessários para fechar um diagnóstico de surdez. Relatado o problema, o bebê recebe o aparelho de surdez sem custo nenhum e, com a família, será integrado junto à instituição para receber atendimento fonoaudiológico duas vezes por semana.
''É muito importante que a criança faça esse teste antes dos 6 meses de vida, pois até esse tempo ela vai balbuciar, mesmo a ouvinte quanto a surda. A partir dos seis meses, a criança surda não escuta o próprio som, então ela vai parar de falar, não vai formar palavras, por isso que o surdo não fala, porque ele não escuta a própria voz'', explica Letícia que em seguida completa: ''uma criança surda que coloca o aparelho em uma idade mais avançada não terá o mesmo resultado quando tratada com dias de vida''.

mockup