Curitiba
Cerca de 10% dos alunos da rede estadual de ensino no Paraná tem problemas de visão, mas muitos deles não recebem o tratamento adequado e não utilizam óculos por falta de orientação. A falta de atendimento prejudica o aproveitamento dos alunos em sala de aula e normalmente provoca efeitos colaterais, como dor de cabeça e mal estar.
A Secretaria Estadual de Saúde informou que mantém um oftalmologista para atender crianças em idade escolar, mas que não há nenhum programa específico nessa área. O atendimento é feito apenas quando as escolas procuram. Hoje, há cerca de 1,3 milhão de alunos matriculados nas escolas estaduais.
O governo também mantém um Centro de Avaliação, que recebe alunos com problemas de saúde, mas insuficiente para atender a demanda. ‘‘O grupo de pessoas disponíveis para esse trabalho é pequeno em relação ao número de aluno. É um processo muito lento’’, observa a orientadora educacional da Escola Estadual Paula Gomes, Eranilde Pereira da Silva.
A escola conseguiu agilizar o processo com a ajuda da ordem maçônica Grande Oriente do Brasil, que patrocinou o exame oftalmológico de 700 alunos de 1ª à 4ª série do primeiro grau. De todas as crianças examinadas, 122 tinham algum tipo de problema de vista e 58 deveriam usar óculos. A entrega simbólica dos óculos ocorreu ontem.
‘‘Tivemos que apelar para outras vias para acelerar os exames. Se não fizéssemos isso, teríamos que esperar até o final do ano para receber o atendimento adequado’’, comenta a orientadora educacional da escola.
A maçonaria já desenvolve trabalho semelhante no Colégio Militar e planeja estender o projeto para outras escolas do Estado.
Na rede municipal de ensino, a Prefeitura de Curitiba mantém há oito anos um convênio com a Fundação de Assistência ao Estudante (FAE) que garante o fornecimento gratuito de óculos para as crianças de sete a 14 anos de escolas públicas de Curitiba e 32 municípios paranaenses. A parceria já produziu 22 mil óculos.
Eles são confeccionados no laboratório ótico que a Secretaria Municipal de Saúde mantém nas dependências da Unidade da Mulher. O órgão confecciona entre 250 e 300 óculos por mês e cerca de 30% da demanda vem de crianças do interior do Estado. Os problemas mais comuns são a miopia e a hipermetropia.

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