Jataizinho - Quarenta e oito horas de atividades práticas e também aulas teóricas sobre controle de pânico e resgate; prevenção e combate a incêndio, orientação e navegação, entre outros. O grupo de 13 formandos do Curso de Ciências Aeronáuticas da Universidade Norte do Paraná (Unopar) teve um fim de semana intenso na Ilha do Baiano, às margens do Rio Tibagi, em Jataizinho (21 km a leste de Londrina), durante o treinamento de Emergência e Sobrevivência. A reportagem da FOLHA acompanhou as atividades.
Os estudantes chegaram na ilha na sexta-feira, por volta das 21 horas, depois de atravessarem o rio a barco e caminharem por cerca de três quilômetros a pé, na mata, até o ponto onde montaram o primeiro acampamento. Durante a noite, eles aprenderam como agir em casos de incêndio em ambientes confinados: ficaram cerca de cinco minutos em uma barraca onde foi acesa uma fogueira.
"Na falta de máscaras, eles podem improvisar pedaço de pano molhado para não inalar diretamente toda a fumaça. Nesse exercício, tiveram a sensação de estar em um incêndio e precisam lidar com a situação de forma rápida para não passarem mal", explicou o instrutor de Sobrevivência na Selva do curso de Comissário de Vôo do Aeroclube de Londrina, capitão Ezequias de Paula Natal. Ele também ministra o curso de Busca e Salvamento Terrestre do Corpo de Bombeiros.
No sábado de manhã, os estudantes tiveram que pegar um peixe no rio próximo ao acampamento. Sem nenhum tipo de tempero, o peixe assado foi degustado com vontade, já que a maioria não se alimentava há mais de dez horas. Erick Vinicius Masroni Volpini, 21 anos, que tem como objetivo ser piloto de avião, achou que a falta de comida foi o fator mais difícil de administrar. "Só comi quatro pedaços de peixe desde que chegamos. Isso acaba dificultando um pouco nosso rendimento", comentou.
Ainda pela manhã, o grupo recebeu orientações de como utilizar a bússola em navegação terrestre e partiu para atividade na água. De mãos dadas, eles andaram pelas pedras, passaram pela correnteza, flutuaram e atravessaram o rio numa corda submersa. Também usando bússola, eles fizeram uma caminhada de 40 minutos numa mata fechada, abrindo trilhas com facões, passando por grandes atoleiros.
"Seguimos o manual de sobrevivência do Exército, Marinha e Aeronáutica, mas, como neste caso eles estão simulando um desastre aéreo, alguns procedimentos mudam. Não há necessidade de abrir trilhas pequenas, podem ser trechos grandes até mesmo para o resgate conseguir localizar o grupo", explicou capitão Natal.
Quando finalmente chegaram num campo aberto, os acadêmicos tiveram que caminhar mais dois quilômetros em meio a mato alto e a obstáculos naturais até chegar ao local onde prepararam o novo acampamento. Felipe Rossi Teixeira, 22, que pretende ser administrador de aeroporto, gostou das atividades. Mas confessou que a longa caminhada pela mata fechada exigiu muito de seu fôlego. "O treino foi bem o que eu imaginava, mas dá pra cansar bastante." Depois de montar o acampamento, tomar banho no rio e descansar por poucos minutos, o grupo se viu diante de um novo desafio: pegar uma galinha, que seria a refeição.

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