A partir do mês que vem, 50 postos da Região Metropolitana de Curitiba vão ter amostras do combustível comercializado analisadas por técnicos do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar). As três análises anuais e outras, motivadas por denúncias, vão credenciar os postos a receberem o selo de ‘‘Qualidade OK’’. O Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Estado e o Tecpar firmaram um acordo ontem para monitorar a qualidade do produto oferecido ao consumidor. A idéia é tirar o Paraná do terceiro lugar entre os Estados que mais vendem combustível adulterado.
‘‘O objetivo é desencorajar a fraude e dar clareza ao consumidor sobre o que ele pode adquirir’’, diz o secretário de Estado da Ciência e Tecnologia e Ensino Superior, Alexandre Fontana Beltrão. Os primeiros selos poderão ser expedidos num prazo de 40 dias.
Os postos que se candidataram ao programa receberão três visitas surpresa do Tecpar por ano. ‘‘Vamos providenciar a verificação de conferência dos combustíveis com as regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)’’, explica o diretor técnico do Tecpar, Júlio Félix. Eles coletarão amostras dos combustíveis. A meta é avaliar se existe a mistura de água, solvente de borracha e querosene nos combustíveis. O posto flagrado poderá ser até fechado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).
De acordo com o presidente do Sindicombustíveis, Roberto Fregonese, o ‘‘Qualidade OK’’ é um salvo-conduto do consumidor. ‘‘Ali ele não vai comprar produto adulterado ou sonegado de ICMS’’, assinala. Fregonese disse que o convênio é bem vindo ao Estado. Segundo ele ‘‘a Agência Nacional do Petróleo só tem três fiscais para atuar nos 1.600 postos de combustíveis existentes no Estado’’.
O presidente do Sindicombustíveis alerta que o dono de posto que conquistar o selo de qualidade e desrespeita-lo pode ser punido. ‘‘Numa nova visita do Tecpar, se o estabelecimento for flagrado, ele vai perder o selo’’, avisa. A adulteração, segundo Fregonese, é uma ‘‘uma forma de criar preços baixos e pagamentos dilatados para atrair o consumidor’’. Além das três fiscalizações programadas pelo Tecpar, o presidente do Sindicombustíveis diz que os técnicos podem realizar outras visitas no caso de novas denúncias.
O médico Haroldo Yagueshita, 42 anos, já teve problemas com gasolina adulterada. ‘‘O carro teve o desempenho reduzido’’, conta. Para trocar o combustível, Yagueshita disse que teve de rodar até gastar toda gasolina que estava no tanque. O estofador autônomo Rogério Marques Correa, 41 anos, parou na oficina mecânica por causa das impurezas encontradas no carburador. ‘‘Mandei limpar o carburador’’, acrescenta Correa. Em outro caso, a sujeira era tanta que entupiu o cano do tanque de combustível. ‘‘Não passava mais nada’’, recorda.

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