Prova escrita. Dinâmica de grupo. Entrevista. Exames médicos e psicológicos. Estas são etapas de processos de seleção para emprego. Na Universidade Estadual de Londrina (UEL), no entanto, o teste de HIV também fazia parte da lista. Pelo menos, até o concurso para docente de julho de 2002. Aprovada nesta prova, a professora do Departamento de Ciências Sociais, Silvana Aparecida Mariano ficou indignada com a exigência e decidiu comunicar o promotor de Direitos e Garantias Constitucionais, Paulo Tavares, sobre o caso.
''O exame foi realizado sem o meu conhecimento'', destaca Silvana. Segundo ela, somente seriam feitos exames ''corriqueiros''. ''Tive um choque quando me dei conta de que estava incluído o resultado do HIV''. O promotor Tavares fez pedidos de informações sobre a exigência para a UEL.
Depois disso, a exigência deixou de ser feita. Para Silvana, no entanto, o caso não está encerrado. ''A UEL deve ser penalizada pelo que já fez'', opina. Ela também questiona a posição do médico responsável pelo exame, que não teria reconhecido o direito do paciente ser informado sobre a realização do teste: ''Será que o candidato seria contratado da mesma forma se fosse soropositivo? Quem está à procura de emprego vai ter autonomia de negar o pedido de exame?''.
''Fiquei inconformada. A questão da discriminação é preocupante. A pessoa poderia receber um resultado positivo sem nenhum tipo de preparo psicológico anterior'', conclui. No caso de Silvana, o teste deu negativo.
Segundo o assessor jurídico da UEL, Marcos Fahur, um erro administrativo foi a causa do problema. Ele explicou que a solicitação possui uma lista de exames requeridos, que não teria sido observada por Silvana. ''A finalidade (do exame de HIV) é cautelar para os procedimentos internos da instituição'', destaca. ''Mas o resultado nunca é usado com objetivo discriminatório nem serve para eliminação de candidatos'', garante.
Após recebimento de uma Recomendação Administrativa, encaminhada pelo promotor Tavares em 16 de dezembro do ano passado, a UEL decidiu interromper a exigência do exame. A decisão final será tomada após os resultados de análise de uma comissão formada por médicos e funcionários da universidade.

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