A indicação do teste para identificar a presença do vírus HIV (da Aids) começa a se tornar comum no exame pré-natal. A informação é do médico Hélcio Bertolozzi Soares, que ministrou palestra na Jornada de Ginecologia do HE sobre ‘‘Aids e gestação - o que fazer para proteger mãe e feto?’’. Soares defende a realização do teste logo no início da gravidez, mas com a devida autorização da paciente.
Segundo o médico, que é professor da Universidade Federal do Paraná e membro do Conselho Regional de Medicina, a identificação precoce é importante para ajudar a salvar a vida do bebê, já que a aplicação do medicamento AZT não causa problemas de formação no feto.
Ele lembra que a tendência é aumentar a incidência da Aids entre as mulheres e acredita que no ano 2000 haverá mais mulheres infectadas com o HIV do que homens. Segundo o médico, em 1985, havia 20 homens infectados para cada mulher. No ano 2000, a previsão é de 1 homem para 1,1 mulher.
‘‘A infecção é mais comum dos 16 aos 35 anos. Justamente o período em que a mulher tem mais chance de engravidar’’, explica. A transmissão do HIV entre mãe e filho pode ocorrer em todo o período gestacional, no momento do parto e durante a amamentação.
Soares comenta que o início da utilização do AZT até 14 semanas de gravidez diminui acentuadamente a chance de contaminação fetal. ‘‘Muitas vezes o bebê nasce contaminado com o vírus. Passando algum tempo o vírus pode desaparecer através do controle da pediatria.’’ A identificação precoce do vírus também é importante para que a equipe médica que vai trabalhar se proteja do risco de contaminação. Entre as pacientes com Aids, também é indicado o parto normal.
(Adriana De Cunto)

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