Da Sucursal

Arquivo FolhaPrevençãoMédico examina gestante em Hospital da Região Metropolitana de Curitiba: jornada que começa amanhã discutirá o problema da Aids pré-natalA partir do final deste mês, todas as gestantes atendidas pela rede pública de saúde em Curitiba e na Região Metropolitana serão submetidas ao teste de HIV. A resolução, expedida pelo secretário estadual da Saúde, Armando Raggio, deverá ser implantada em todo o Estado no prazo de seis meses. O objetivo é diminuir os índices de contaminação dos recém-nascidos.
O coordenador da Jornada Paranaense de Doenças Sexualmente Transmissíveis, que terá início amanhã, em Curitiba, Newton Sérgio de Carvalho, informou que o índice de contaminação dos bebês chega a cair de 33% para 7% quando a mãe recebe tratamento.
‘‘Foram feitos testes com dois grupos de gestantes infectadas’’, explicou o médico. ‘‘Entre as que usaram corretamente o AZT durante a gravidez, a média de contaminação foi inferior a um para cada dez nascimentos.’’ No grupo que não foi medicado o número subiu para quatro.
Ele disse que o uso de outras drogas associadas ao AZT, em forma de coquetel, ainda não foi testado nas gestantes. ‘‘Acredito que o índice de contaminação possa diminuir mais’’, afirmou o médico. Este assunto será discutido durante a jornada.
A diretora do Departamento de Vigilância e Pesquisa da secretaria, Mariângela Galvão, falou sobre a importância do diagnóstico precoce. ‘‘O risco de contaminação pelo parto e pela amamentação é grande e pode ser evitado’’, afirmou.
A implantação da nova resolução, segundo explicou Mariângela, depende agora da parte operacional do processo. Uma das dificuldades é a falta de laboratórios para realizar os exames. Toda a demanda de Curitiba e região será atendida pelo Laboratório Central do Estado e pelo Laboratório Municipal de Curitiba. O Estado dispõe de apenas nove laboratórios.
O Paraná registra cerca de 220 mil nascimentos por ano, o que significa 240 mil pré-natais. Outra medida necessária para a implantação da resolução é a orientação psicológica dos profissionais públicos de saúde.
‘‘Ainda há preconceito no atendimento das portadoras do HIV. Muitos profissionais não sabem como agir diante de uma gestante infectada’’, admitiu Mariângela. Segundo ela, os profissionais dos postos municipais, estaduais e do Hospital de Clínicas (HC) serão orientados sobre esta questão.
Ela informou que o primeiro lote de AZT injetável para o tratamento de gestantes já foi adquirido pela secretaria e está sendo utilizado em pacientes em que a doença já foi diagnosticada.

mockup