Milton DóriaParceria conflituosaAlmeida abraça Testa, aplaudido por Nitis: para o candidato a vice, composição é sinal de maturidadeComeçou ontem a campanha eleitoral que irá definir a nova administração da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O reitor Jackson Proença Testa lançou ontem, oficialmente, a sua candidatura à reeleição, tendo na chapa, como vice, o médico Márcio José de Almeida.
A composição com Márcio Almeida deixa poucas possiblidades para que as lideranças descontentes da comunidade universitária formem chapa de oposição para concorrer nas eleições da UEL. Até recentemente, Márcio de Almeida era tido como o possível candidato de oposição a Testa.
O lançamento reuniu cerca de 200 pessoas, a maioria docentes, diretores de centro e lideranças políticas do município. Testa e Almeida admitiram que ‘‘nem sempre estiveram próximos um do outro e, às vezes, estiveram em campos opostos’’. Mas prometeram colocar os interesses da instituição à frente das questões pessoais. Testa disse acreditar que as diferenças ideológicas entre ele e seu vice serão ‘‘benéficas’’ para a instituição. ‘‘Uma universidade tem de ser plural na sua formação política e filosófica’’, afirmou o reitor.
Na avaliação do reitor, a composição com Márcio Almeida oferece à UEL as armas necessárias para ‘‘enfrentar com serenidade’’ as mudanças trazidas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). Testa afirmou: ‘‘Até agora as universidades estavam dentro de uma camisa-de-força. Amarradas à legislação federal e estadual, não tinham liberdade para implantar mudanças necessárias. Com a LDB, tudo muda.’
Márcio Almeida fez questão de afirmar em público que aceitou a composição por livre e espontânea vontade. ‘‘Esta composição é sinal de maturidade’’, disse. Ele negou, em entrevista à Folha, ter chegado a trabalhar a sua candidatura à reitoria para concorrer com Testa. ‘‘Falou-se na minha possível candidatura mas nunca houve nada de concreto.’
O médico disse que, antes de aceitar o convite de Testa, avaliou os pontos positivos e negativos de uma composição com o atual reitor. ‘‘O ensino superior vai enfrentar uma barra pesada. Se as instituições estiverem divididas e seu corpo dirigente não tiver representatividade, haverá dificuldades para superar as mudanças que estão por vir’’, explicou. Almeida definiu a composição com Testa como uma ‘‘parceria conflituosa’’ na qual a manutenção do diálogo será indispensável.
Durante o lançamento da chapa, Testa e Almeida apresentaram um programa geral de administração. O detalhamento e ampliação das propostas, informaram, será feito em parceria com a comunidade universitária. Professores, funcionários e estudantes poderão apresentar propostas em debates que serão realizados depois do Carnaval. A data da eleição ainda não foi definida, mas deverá acontecer até abril. Testa anunciou ainda que vai pedir ao Conselho Universitário para se afastar do cargo e participar das eleições. ‘‘Todos que vão concorrer à reeleição deveriam fazer o mesmo, para garantir transparência ao processo eleitoral.’
Além da atual vice-reitora Nitis Jacon, manifestaram seu apoio à composição o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB); o ex-prefeito Dalton Paranaguá; o primeiro reitor da UEL, Ascênsio Garcia Lopes; e o reitor da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Marco Antônio Lafranchi.

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