Tese que nega Aids provoca reações
Tese que nega Aids provoca reações
Arquivo Folha
O médico italiano Federico Navarro afirmou, em congresso, que o vírus da Aids não existe e provocou a ira de psicoterapeutas corporaisAs declarações do médico italiano Federico Navarro, de que o vírus da Aids não existe, causaram protesto entre os próprios participantes do I Congresso Brasileiro de Psicoterapias Corporais. O psiquiatra carioca José Ignacio Tavares Xavier diz que a afirmação é ofensiva à classe médica e se caracteriza por contradições internas à própria lógica do raciocínio desenvolvido por Navarro, revelando claramente a precariedade da fundamentação de suas idéias.
O presidente do congresso - realizado no último final de semana, em Curitiba -, José Henrique Volpi, afirma que Navarro tem uma forma muito radical de expressar suas idéias e que, às vezes, não é bem compreendido. Ele não nega a afirmação do médico italiano, mas enfatiza que esta não é a posição da maioria dos participantes do encontro. Segundo Volpi, a palestra de Navarro obteve reação polêmica mesmo entre os terapeutas corporais que a assistiram.
Em entrevista à Folha, Navarro afirmou que a existência do vírus HIV ainda não havia sido comprovada, contradizendo estudos científicos de respeitados pesquisadores de todo o mundo, e disse que as vítimas da Aids sofrem mesmo é do que chamou de um eu fraco. Ou seja, seriam pessoas com problemas de energia e falta de identidade, que não teriam defesas próprias contra doenças.
Em texto em que consta a assinatura de outros 16 terapeutas, José Ignacio Xavier diz que a tese de Navarro não representa a posição de muitos profissionais. E reafirma a entrevista, também publicada pela Folha, do médico Moacir Pires Ramos, que declara cometer um crime contra a sociedade quem diz que o vírus HIV não existe. Xavier diz também que embora a Aids não seja uma doença, mas uma síndrome, ou seja, um estado mórbido caracterizado por um conjunto de sinais e sintomas e que pode ser produzido por mais de uma causa, no estado atual do conhecimento é atitude prematura e temerária inocentar o vírus HIV de uma relação causal com a Aids.





