Mauro FrassonSebastião lamenta ter feito contrato de leasing sem ler cláusulasA forma como o consumidor luta para defender os seus direitos é a tese de doutorado da jornalista Cimea Bevilacqua. Desde o começo do ano, ela está coletando dados sobre cada reclamação que é encaminhada à Promotoria de Defesa e Proteção do Consumidor (Procon). Segundo ela, quanto menos o consumidor conhece os seus direitos maiores são as distâncias que ele percorre.
Cimea conta que conversou com algumas pessoas que passaram por diversos órgãos de defesa do consumidor antes de desembocar no Procon. ‘‘Tem gente que foi à Delegacia de Proteção ao Consumidor, à promotoria antes de solucionar seus problemas numa mediação simples no Procon’’, informa.
A pesquisadora diz que normalmente os consumidores de classe mais baixa são os mais enganados, por não dominarem a leitura de contratos.
Mauro FrassonCimea diz que o consumidor de classe mais baixa é mais enganadoÉ o caso do encarregado de coleta Sebastião Aparecido de Souza que na última quinta-feira tentava reverter um contrato de leasing. ‘‘Comprei um carro baseado na variação cambial e agora não consigo pagar mais’’, afirma. Ele conta que sua prestação, que estava em R$ 317,00, dobrou. ‘‘Com isso, mesmo depois de ter pago mais da metade do leasing, posso perder o carro’’, diz
Souza admite que escolheu o leasing por que era o financiamento mais atrativo e vantajoso no período de câmbio estabilizado. ‘‘O problema é que não li o contrato, em especial na parte que informava como se procederia o reajuste’’, afirma. ‘‘Agora vou ter que correr atrás do prejuízo’’, diz.
Também atrás do prejuízo vai a estudante Juliane Alves. Matriculada num curso universitário, ela desistiu ao entrar em outra faculdade. ‘‘Na época, optei por mudar, mas não sabia tinha que rescindir o contrato com a antiga universidade para não ter mais a mensalidade cobrada’’, diz. Por não ter feito isto, o nome de sua mãe, na época a responsável legal da estudante, foi protestado. ‘‘Agora tento realizar um acordo com a universidade para quitar os oito meses de débitos e retirar o nome da minha mãe do protesto’’, diz.
Para a jornalista Cimea Bevilacqua estas situações poderiam ser evitadas com o maior interesse do consumidor em conhecer seus direitos e também deveres.(I.R.)

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