Moradores do Conjunto João Turquino (zona oeste) estão abandonando suas casas pressionados por marginais da região. A denúncia foi feita ontem à tarde por um trabalhador de serviços gerais – ele pediu para não ser identificado porque teme represálias – que vive no bairro há um ano e que está sendo vítima de ameaças. Ele vive aterrorizado desde o último dia 25, quando assaltantes entraram em sua casa, levaram televisão, aparelho de som e dois celulares.
O morador procurou a Folha ontem e contou que, na ocasião, foi ameaçado de morte caso denunciasse o assalto à polícia. Como prestou queixa na delegacia, desde então vem recebendo ‘‘avisos’’ dos assaltantes que dizem que irão entrar na sua casa ‘‘e arrebentar tudo’’.
Ele disse acreditar que os marginais cumpririam a ameaça ontem à noite e por isso procurou a 10ª Subdivisão Policial (SDP) pedindo que uma viatura fizesse ronda na rua de sua casa. ‘‘Fui orientado a ligar para o 190. Só que os moradores sempre fazem isto e a viatura nunca vem. De um ano para cá os moradores do João Turquino estão nas mãos dos bandidos e sem proteção da polícia. Muitas famílias já abandonaram suas casas. Eu mesmo pretendo fazer isto’’, disse.
Ele mora sozinho com dois filhos de 10 e 11 anos e disse que deixa as crianças com um vizinho quando vai trabalhar. ‘‘Tenho medo de deixá-los sozinhos em casa’’. A Folha ouviu o superintendente da 10ª SDP, Miguel Domingues, que afirmou desconhecer este caso.
Quanto ao procedimento da polícia em situações desse tipo, Domingues afirmou que o trabalho preventivo é feito pela PM. O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), coronel Rubens Guimarães afirmou que cabe à Polícia Civil fazer a investigação para apurar casos de ameaça e que a PM faz o patrulhamento.
O coronel afirmou que tem uma viatura faz a ronda nos bairros daquela região – Maracanã, Campos Verdes, Panissa, João Turquino. ‘‘Não dá para ter mais de uma viatura’’, disse. Segundo ele, ultimamente a situação do João Turquino melhorou e a PM está fazendo ‘‘arrastões’’ no bairro. ‘‘Casos de busca é preciso que a pessoa denuncie quem o está ameaçando’’.

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