Ibiporã - ''É um crime de repercussão, de muita crueldade''. Essa é a definição dada pelo delegado de Ibiporã (Norte), José Arnaldo Peron, sobre o quádruplo homicídio registrado na madrugada de ontem, no Sítio Alto da Boa Vista, na Barra da Jacutinga.
O pai Elias Murgi, de 61 anos, a mãe Maria de Lourdes Murgi, 60, a filha Valquíria Murgi Alves, 36, e a neta de 13 anos, foram assassinados com disparos de arma de fogo e golpes de faca dentro da própria residência. O motivo seria passional. Segundo testemunhas, Marcos Antônio Antunes, 29 anos, não se conformava com a separação da mulher Valquíria, com quem tem uma filha de três anos, e passou a fazer ameaças contra toda a família.
''A gente tinha muito medo dele. Ele já tentou matar meu pai outras vezes, mas não tinha conseguido. Ele dizia que se minha irmã largasse dele, iria matar todo mundo que ela amava'', contou uma das irmãs de Valquíria, que não quis ser identificada, e chorava muito.
Ela informou que Valquíria morava em uma granja, em Sertanópolis (Norte), com Marcos e a filha. ''Ela vivia se separando dele, mas acabava voltando porque ficava com medo das ameaças, mas dessa vez, ela resolveu fugir'', revelou. Há cerca de uma semana, Valquíria saiu de casa e foi morar com os pais. A família foi surpreendida por volta das 23 horas de domingo, logo após ter retornado da igreja.
''Ele atirou uma pedra na janela para minha família sair de casa. Meu pai foi até portão e foi atingido. Em seguida, ele entrou na sala, atirou contra minha irmã e minha sobrinha. Na cozinha, ele matou minha mãe. Além de ter atirado, ele ainda esfaqueou meu pai e a Valquíria'', afirmou a mulher, inconformada com tamanha crueldade. ''A menininha dele ficou ao lado da mãe, toda ensanguentada e chorando muito'', completou, dizendo que obteve as informações com o irmão, que conseguiu fugir.
Fuga
A polícia encontrou um revólver utilizado por Elias Murgi, na tentativa de defender a família. Segundo o delegado Peron, a testemunha principal é do irmão de Valquíria. Parentes afirmaram que Marcos também tentou matá-lo, mas não havia mais munição. ''Ele pegou a faca e tentou esfaqueá-lo, mas por sorte meu irmão conseguiu fugir até a casa da Márcia e chamou a polícia'', contou.
Márcia Aparecida Murgi, de 40 anos, também é irmã de Valquíria e mora a poucos metros da casa dos pais. Ela comentou que o cunhado era encrenqueiro e que havia boatos de que ele tinha encomendado R$ 300 em munição. ''Ele controlava muito minha irmã e nem a deixava vir visitar meus pais'', acrescentou Márcia, que está cuidando da filha do casal. Até o fechamento da edição o ex-marido estava foragido.

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