Levantamento da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) estima que Londrina tem quase uma pequena cidade de 12 mil imóveis mal conservados. São lotes com toda a sorte de lixo: entulho de construção, mato alto, galhos, móveis, animais mortos e resíduo doméstico. A prefeitura deu um últimato aos sujões, avisando que todos têm um prazo de 15 dias para cumprirem a obrigação de limpar seus terrenos. Quem não se mexer será multado.
O problema é tão grande que não precisa ir longe na cidade para se deparar com terrenos sem conservação. Na Rua da Lapa, que fica no Jardim Higienópolis (Centro), a duas quadras do cartão de visitas Zerão, um terreno situado ao lado de um prédio residencial que já virou ponto de despejo ganhou há algumas semanas dois sofás que estão apodrecendo a céu aberto. Na Vila Nova (Centro), também no centro, a esquina da Travessa Açungui é um monte de entulho há mais de um ano.
No Jardim do Sol (Zona Oeste), a Avenida do Sol está mais feia por causa de dois terrenos abandonados. Vizinha de um deles, a manicure Leila Martins descobriu da pior maneira a tragédia que é ser vizinha da falta de consciência. Há menos de um mês, ela levou uma picada de inseto na perna que infeccionou e lhe rendeu uma internação de dez dias. ''Faz tempo que o terreno não vê limpeza. Meu filho que, às vezes, corta o mato para evitar que viciados se escondam e enterra os animais mortos que as pessoas jogam'', afirmou.
No final da Avenida Jorge Casoni, numa das vilas mais antigas da cidade, o problema é gigantesco. Um grande terreno vazio se transformou em lixão. O movimento de carroceiros, segundo a vizinhança, é diário e o entulho acumulado já encheu a paciência também dos moradores. ''Era para ser um ferro velho mas fizemos várias ações na comunidade e isso foi embargado. Mas acabou virando uma área de descarte de entulho'', denunciou o morador Aparecido Antônio Petinelli.
Não bastasse isso, todo dia alguém toca fogo no material inflamável. Ele opinou que o ideal seria que o terreno fosse cercado e que a calçada fosse feita. Sem limites, apontou o morador, o lixo acaba sendo despejado até na avenida. ''O ideal seria que cada um adotasse pelo menos 30 metros ao redor de sua casa e cuidasse. Poderíamos ter um lugar limpo e agradável para morar, mas falta consciência também da própria comunidade.''
O coordenador de fiscalização de áreas particulares da CMTU, Alexandre Zuliani, alertou que no dia 25 todos os proprietários que não estão em dia com a limpeza de seus imóveis foram notificados via diário oficial. Ao todo, seriam entre 10 mil e 12 mil imóveis mal conservados. O prazo para limpeza é de 15 dias.
Quem não cumprir a determinação, estará sujeito à multa de R$ 1,00 por metro quadrado de sujeira. Caso contrário, a CMTU faz a limpeza e cobra mais R$ 1,00 por metro quadrado e R$ 30,00 por metro cúbico de resíduo retirado. Em 2010, cerca de 180 proprietários já foram multados.
SERVIÇO:
■ De­nún­cias po­dem ser fei­tas pe­lo te­le­fo­ne (3379-7954) ou di­re­ta­men­te na se­de da ­CMTU.

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