O problema do descarte de lixo em terrenos baldios do Jardim Interlagos (Zona Leste de Londrina) deve chegar ao fim em breve. A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) identificou parte das pessoas que fazem o despejo nos terrenos e já autuou alguns motoristas, localizados pela placa dos carros. A situação, no entanto, persiste de forma grave, inclusive com restos de lixo hospitalar em locais utilizados por pedestres e próximos ao Córrego Marabá, considerado pelo assessor da Secretaria Municipal do Ambiente (Sema), João Batista, como um dos mais poluídos da cidade.
A reportagem da Folha esteve no bairro no mês passado e constatou o descarte de lixo em uma travessa de terra, entre os jardins Interlagos e Morumbi, próximo a um ferro-velho. Na ocasião, o diretor operacional da companhia, João Verçosa, garantiu a limpeza do local e admitiu a dificuldade para localizar os autores do despejo.
De volta ao terreno, ontem, a reportagem verificou a presença de lixo orgânico, pneus, vidros, tubos de TV, animais mortos e até frascos de medicamentos como Telebrix, um constraste à base de iodo, e Profol, um suplemento vitamínico. ''Moro na região há 26 anos e sei que isso acontece há pelo menos 10'', contou o mecânico Cláudio Gomes da Silva. ''Já vi a CMTU limpar o terreno, mas não adianta. Limpam de manhã e à tarde tem gente de carroça, carro ou caminhonetes de empresas jogando lixo de novo'', descreveu a diarista Elizabete de Oliveira.
''Qualquer deposição de lixo feita em locais inadequados é considerado crime ambiental, passível de penalidade'', disse o chefe regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Ney Paulo. ''Sendo empresas, avaliamos o potencial econômico e aplicamos uma multa. Se for uma pessoa, como um carroceiro, ele pode ser obrigado a prestar serviços ambientais à comunidade'', completou.
Segundo Verçosa, alguns carroceiros são os principais suspeitos da deposição. ''Parte destes profissionais fazem a cata de lixo e depois de separar o que lhes interessa, jogam o restante em qualquer lugar. Se identificarmos os autores, vamos encaminhar uma denúncia formal à promotoria do Meio Ambiente'', afirmou, ressaltando que os laboratórios responsáveis pelos medicamentos também poderão ser responsabilizados. ''Eles não podem permitir o transporte deste tipo de lixo por qualquer pessoa'', explicou.
Verçosa estuda também a possibilidade de sugerir à secretaria de Obras o fechamento da travessa. ''Se não conseguirmos localizar os responsáveis, acredito que a única solução é o fechamento da via'', resumiu.

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