Esquecido pelo proprietário, um terreno recém-terraplanado na Avenida dos Pioneiros, no Jardim Oriente (Zona Leste de Londrina), está sendo usado por carroceiros como depósito de entulhos de construção e lixo de toda ordem. A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) admite que faltam áreas de descarte na cidade mas alerta que existem punições.
No terreno particular, a reportagem encontrou restos de construção, galhos de árvores, frutas podres, aparelhos de rádio e televisores quebrados e diversos pneus. Do outro lado da Avenida dos Pioneiros, o terreno por onde passa uma linha férrea também está sendo usado como depósito de lixo doméstico. Até um sofá foi dispensado às margens da via.
Um trabalhador autônomo que fazia a limpeza de um lote vizinho ao terreno que está servindo como lixão afirmou que os responsáveis seriam os carroceiros da região. ''Eles fazem o frete mas não têm onde jogar e acabam deixando aqui neste terreno'', apontou. E ele revelou que conseguiu o serviço de capina porque o dono do terreno teme que o lixo comece a ser jogado também em sua propriedade. ''Eu estou limpando tudo porque eles vão erguer um muro e plantar um pomar'', disse.
O empresário Joaquim Claudir passa pela avenida diariamente para chegar ao trabalho e confirmou que o movimento de carroceiros no terreno é constante. ''Deveria haver um bota-fora em todas as regiões da cidade para receber esse material'', reclamou.
O diretor de operações da CMTU, João Verçosa, admitiu que o município dispõe de apenas uma área uma antiga pedreira na Zona Sul para receber restos de construção. Segundo ele, esse é um problema que precisa ser solucionado com urgência já que os detritos estão sendo abandonados por toda a cidade e em áreas impróprias, muitas delas fundos de vale.
Verçosa avaliou que os carroceiros, sobretudo na periferia, são contratados porque cobram menos do que as empresas de caçamba, mas despejam o lixo no primeiro terreno vazio ou abandonado que encontram. Ele adiantou que um dos planos da CMTU é usar uma antiga usina de reciclagem de entulho de construção que está desativada há mais de cinco anos. Outra ação necessária é a conscientização dos carroceiros.
Mas tanto a CMTU quanto a Secretaria Municipal de Ambiente (Sema) alertaram que as punições existem. Quando a área é particular, o proprietário pode ser notificado pela fiscalização e obrigado a limpar e cercar o terreno. Caso a prefeitura faça o serviço, a conta vai para o dono do imóvel. Além disso, a pessoa que contratou o carroceiro que dispensou o entulho em local impróprio também pode ser multada.
A assessora de educação ambiental da Sema, Alice Aparecida e Silva, destacou que as multas estão previstas pelo Código de Posturas do Município e podem variar de R$ 46,00 até R$ 1,2 mil. A Sema possui um disque-denúncia (152) que deve ser usado sempre que algúem flagrar lixo sendo dispensado em área inadequada.

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