Terreno recebe mais famílias
Expulsos pela seca que castiga as plantações do sertão alagoano, os lavradores Maria da Glória Monteiro Santana, 46 anos, e Rubem Nunes Brandão, 43, chegaram a Londrina no último domingo e já na segunda-feira conseguiram um lote no terreno invadido nos fundos do Conjunto Vivi Xavier. Ansiosos com o futuro, o casal disse que essa era a única alternativa que tinham para alcançarem o sonho de ter, pelo menos, casa própria.
Os dois contaram que em Ouro Branco, onde viviam no interior de Alagoas, a seca era tamanha que tinham que percorrer até 15 quilômetros para conseguirem ''um pouco da água barrenta do São Francisco''. Outra alternativa era pagar R$ 3,00 pelo pote com a mesma água. ''Era sofrimento demais'', falou Brandão, que colheu apenas cinco sacas de feijão mas o preço de venda foi tão baixo ''que não compensou nem ter plantado''. Com o que conseguiu não deu nem para bancar a viagem até Londrina.
Vendo a fartura dos campos verdes ao fundo da invasão, o casal disse que espera ter mais sorte no norte paranaense para trazer os quatro filhos que ficaram no Nordeste. ''Aqui a terra é boa demais'', comentou Maria, se esquecendo por um momento que ela mesma ainda não possui seu ''pedacinho de chão''. (L.A.)





