A utilização de um terreno da prefeitura de Londrina como depósito para entulhos de construção no Jardim Tarobá (Zona Sul) está fazendo a alegria de empresas e recicladores, e ao mesmo tempo dando dor de cabeça à vizinhança. A área é cercada de residências. Caminhões não param de chegar ao local despejando toneladas de material.
O barulho e a sujeira também são incessantes, afirmam moradores como Ester de Paula Moura, 37. Residente num trecho sem asfalto da Rua Artur Magro, ela já convivia com problemas causados pela poeira, mas viu a situação se agravar há cerca de quatro meses, quando começou o despejo de entulhos. ''É o dia inteiro assim. A gente tem um trabalhão para fazer a faxina, aí bate um vento e traz terra, sacola velha, papel sujo, tudo pra dentro de casa'', lamenta.
Para desespero do marido de Ester, que trabalha à noite e precisa dormir durante o dia, o vaivém dos caminhões na rua começa bem cedo e só termina no final da tarde. ''Eu mesma fiquei muito doente há 15 dias e não conseguia repousar. Pedimos para mudarem a rota dos caminhões, mas não adiantou'', afirma. Outra moradora próxima ao terreno, a dona-de-casa Lucilene Souza, 28, aponta que seu bebê acorda o tempo todo com os ruídos da rua e que outras crianças têm constantes incômodos respiratórios.
Alguns moradores vêem o depósito com bons olhos. A desempregada Ivani Alves de Pereira, 46, lembra que havia um grande buraco no lugar do entulho de construção, onde jogava-se muito lixo e animais mortos. ''O cheiro era ruim e quando um bandido se enfiava por ali a polícia não pegava mais'', observa. Ela espera que a prefeitura construa em breve uma obra no terreno para valorizar a região.
Já os catadores de papel que ''garimpam'' a área confessam que não querem ver o despejo acabar tão cedo. ''Para nós, quanto mais tempo demorar, melhor'', admite um deles, que pediu para não ser identificado. Ferro, papel, plástico e outros materiais colhidos no depósito são vendidos para reciclagem. O trabalho envolve moradores de outros bairros.
O secretário municipal de Meio Ambiente, Dirceu Fumagalli, disse que tem um projeto de construção de um campo de futebol no local. Segundo ele, a prefeitura permitiu que várias empresas despejassem resíduos de construção até aterrar o terreno. ''Nossos fiscais avaliaram que já há entulho suficiente, e provavelmente vamos suspender o depósito logo'', comentou. O secretário municipal de Obras, Aloysio Crescentini de Freitas, disse que não tem previsão de construir campo de futebol no bairro mas, em compensação, anunciou que as ruas que ainda não foram asfaltadas devem ser pavimentadas ainda este mês.
A grande procura de empresas interessadas em despejar entulhos de construção no depósito provisório do Jardim Tarobá confirma um problema pendente na cidade: a falta de locais adequados para receber resíduos da construção civil. Uma resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) exige que os municípios cessem a disposição desses entulhos em aterros de lixo domiciliar e áreas de bota-fora.
Em Londrina, ainda não há um programa de gerenciamento desse tipo de material. ''Estamos estudando a questão junto com a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) e outros órgãos, e teremos uma nova reunião nos próximos dias'', declarou Fumagalli. As discussões tiveram início no ano passado.

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