Curitiba - As cerca de 4 mil famílias, que invadiram um terreno da Varuna Empreendimentos Imobiliários, na Rua João Dembinski, na Fazendinha, deverão desocupar a área esta semana. A empresa obteve liminar de reintegração de posse, concedida pela juíza da 19 Vara Cível de Curitiba, Júlia Maria Tesseroli, e o prazo de cinco dias para desocupação está contando desde a última sexta-feira. O oficial de Justiça já protocolou pedido de reforço policial para fazer cumprir o mandado, caso as famílias não saiam do local voluntariamente.
A coordenadora da União Nacional por Moradia Popular, Maria das Graças Silva de Souza, reuniu-se, na tarde de ontem, com lideranças da ocupação. Segundo ela, as famílias estão decididas a permanecer no local.
Os primeiros moradores chegaram ao local no dia 6 de setembro. De lá para cá, eles já construíram barracos de madeira e até formataram um comércio interno de alimentos, bebidas, madeiras e dos terrenos, que foram loteados entre os invasores. Dependendo da localização e tamanho do terreno, a negociação pode chegar a R$ 10 mil. Um homem que se identificou apenas como Carlos confessou que se alguém se interessar, pode vender o lote dele por R$ 5 mil. ''Tem quem precise de um lugar para morar, mas a maioria vê isso aqui como empreendimento. Se der certo, uma casa aqui vai valer muito dinheiro'', comenta.
A situação é considerada insustentável por moradores da região. A reportagem da FOLHA falou com uma mulher, que não deu o nome por medo de represália. Ela diz que tem medo de andar ao redor e que o entra-e-sai de carros nas ruas improvisadas terreno adentro é muito grande. Ela diz que é a terceira ocupação no Fazendinha e que o bairro sofre com violência e desvalorização imobiliária.
Maria das Graças confirmou que em uma ocupação envolvendo tantas famílias, casos de comércio de terreno podem acontecer, mas assegurou que a maioria das pessoas está ali porque realmente precisa de um teto. Ela informou que cerca de 2 mil famílias já foram cadastradas e são de baixa renda, que alugam ou dividem a moradia com parentes ou outras famílias.
Segundo a assessoria jurídica da Varuna, houve desmatamento de um bosque de mata nativa. A empresa não soube informar o tamanho da área desmatada. O terreno ocupado tem aproximadamente 210 mil metros quadrados. O projeto da Varuna para empreendimentos residencial e comercial na área, segundo a assessoria, está em discussão junto a órgãos ambientais.

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