Os jovens que ''moravam'' no terreno ao lado do Pronto Atendimento Infantil (PAI), no Centro de Londrina, foram retirados do local. Anteontem pela manhã, uma viatura da Polícia Militar (PM) circulava pela área para garantir que ninguém voltasse a ocupá-la. A árvore sob a qual até 20 pessoas chegavam a se abrigar, às margens da Avenida Leste-Oeste, foi cortada. Colchões e outros objetos foram removidos em um caminhão.
A Secretaria Municipal de Assistência Social, que vinha realizando abordagens frequentes junto aos moradores do ''mocó a céu aberto'' por meio do programa Sinal Verde, pediu apoio à PM e à Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) para uma ação mais contundente. ''Nos deparamos com situações que extrapolavam a nossa ação. Constatamos que havia pessoas estranhas ao grupo habitual frequentando a área e, além disso, havia a suspeita de que pudesse haver presença de drogas ali'', justificou a gerente de média complexidade da secretaria, Sandra Coelho. Segundo ela, os jovens foram encaminhados para abrigos destinados a esse público.
No último dia 26 de abril, a Folha publicou reportagem expondo a situação dos jovens e adolescentes que viviam nesse terreno e que, nos últimos meses, passaram a ocupar também as dependências do PAI. A julgar pelos depoimentos dados pelos próprios moradores de rua, é difícil acreditar que a remoção deles da área seja a solução definitiva para o problema. Meninos e meninas com idades entre 14 e 25 anos entrevistados pela Folha declararam que já passaram por abrigos, sendo que alguns têm família em Londrina. Parte do grupo eram cerca de 12 no dia da entrevista, feriado de Tiradentes relatou que já ''morou'' em outros locais públicos, como o Zerão.
Sandra reafirmou que o trabalho de reinserção de jovens nessa situação é lento e difícil, e que a principal causa da resistência em aderir a um novo estilo de vida é o uso de drogas. Os moradores da ''seringueira'', como eram chamados em referência a árvore que ocupava o terreno da Leste-Oeste, admitiram à reportagem que consumiam cola, tinner, maconha, crack e cocaína.
''A grande maioria desses jovens apresenta problemas de rompimento familiar, extrema pobreza, problemas mentais e uso de drogas. Estamos dando continuidade ao trabalho que já vinha sendo feito, envolvendo a Saúde e o Conselho Tutelar. Eles estão sendo convidados a retornar às famílias ou permanecer em abrigos, e submeter-se a tratamento para dependência química'', salientou a gerente.
O subcomandante da PM na Área Central de Londrina, segundo-tenente Marcelo Barros do Nascimento, disse que a polícia foi convocada para garantir a segurança na operação de retirada dos moradores do terreno e fazer uma revista geral nos jovens e no local. Não foram encontradas drogas ou armas, segundo ele. ''A gente sabe que eles vão procurar outros locais ou tentar voltar para o terreno. Vamos manter as abordagens'', declarou Nascimento.

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