Além de receber os iniciados nas religiões afro-brasileiras, os terreiros têm a função social de acolher toda a comunidade, pessoas que estão em busca de apoio em diversas áreas. "Trabalhamos em prol de nossa comunidade. Aqueles menos favorecidos, mais vulneráveis. Nós acolhemos quem necessita de apoio, atenção, encaminhamento porque está doente, não tem leitura, não conseguiu atendimento médico, está com o filho na cadeira de rodas, não tem profissão, não tem moradia", afirma a Mãe Omin, do Ylê Axé Ópó Omim I. No local, são realizados trabalhos de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis (DST) e à aids, prevenção à dengue, oficinas de geração de renda, capoeira, contação de histórias, danças afro e percussão.
E conforme lembra Ogan Marmo de Oxossi, coordenador nacional da Renafro, o acolhimento é a base da Política Nacional de Humanização do Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com a Mãe Nilce de Iansã, secretária executiva da Renafro, na área de saúde, os terreiros têm o papel de receber e encaminhar as pessoas. "Lá elas encontram o acolhimento, a escuta. Nós então as orientamos e encaminhamos", diz. "Nos locais onde o SUS não consegue chegar, os terreiros estão chegando e acolhendo toda a comunidade", ressalta Ogan Marmo de Oxossi.

PRÁTICAS

Ainda na área de saúde, uma das lutas da população de terreiros é pela maior atenção às tradições relacionadas às práticas de suas religiões. "Muitas vezes o profissional de saúde não conhece a nossa tradição. Por conta disso temos algumas questões que não podemos fazer, como comer determinados alimentos. O profissional de saúde que não conhece essas restrições às vezes indica um tipo de alimentação que não podemos comer. Não é à toa que estamos hoje junto com o Ministério da Saúde na formação de alguns profissionais, porque eles precisam conhecer como o terreiro funciona", explica o coordenador nacional da Renafro. Segundo ele complementa, a participação maior do povo dos terreiros em conferências e seminários e na criação de políticas públicas nacionais pode ser considerada um grande avanço na luta desta comunidade.(M.F.C.)

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