Curitiba

Marcelo AlmeidaReivindicaNildemar da Silva entregou a Lerner reivindicações do MST, entre elas a liberação de R$ 5 milhões para financiar plantioA superintendente do Incra no Paraná, Maria de Oliveira, prometeu ontem a desapropriação de terras para assentar até 20 de novembro as 269 famílias acampadas em cinco fazendas produtivas com reintegração de posse decretada pela Justiça, no Norte, Noroeste e Centro do Paraná. O anúncio foi feito durante reunião com o governador Jaime Lerner e representantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), Ministério Público e Poder Judiciário, no Palácio Iguaçu. Durante o encontro também foi anunciada a libertação de mais dois líderes sem-terra.
A desocupação das áreas produtivas foi uma das condições colocadas pelo governador para o prosseguimento do diálogo com os sem-terra. A outra foi a suspensão da ocupação de terras no Paraná. As lideranças do MST reagiram de forma reticente às duas propostas. ‘‘Nunca assumimos o compromisso de não ocupar novas áreas nem estamos assumindo agora’’, disse Roberto Baggio, da liderança do MST, lembrando, contudo, que há 90 dias não ocorrem invasões.
Sobre a desocupação das áreas produtivas, Baggio disse que ‘‘se forem ofertadas áreas definitivas, saímos rapidamente’’. O cronograma apresentado pelo Incra tem duas etapas: até o dia 7 de novembro, seriam transferidas as 32 famílias que ocupam a Fazenda Almeria (em Jardim Olinda) e as 80 acampadas na Dois Córregos (Querência do Norte).
Até 20 de novembro, o Incra conseguiria áreas para levar os invasores de outras três fazendas com reintegração de posse: Velha Madeirite (em Inácio Martins, com 40 famílias); Sagarana (Tamarana, 87 famílias) e São Cristiano (Reserva, 30 famílias).
A superintendente do Incra não informou quais serão as áreas desapropriadas para abrigar essas famílias. Mas, segundo ela, ‘‘a partir desta semana, toda semana devem sair de três a quatro desapropriações no Paranᒒ. Ela afirmou que o Incra vai assentar, até o final do ano, 3.500 famílias no Estado. Mais 444 poderão ser assentadas no início do ano que vem. Com isso, ficariam sem atendimento 1.352 das cerca de 5.300 famílias cujo assentamento o MST colocou como prioridade na pauta de reivindicações.
Os sem-terra também pediram ao governador a liberação de R$ 5 milhões para financiar o plantio em áreas provisórias. Lerner afirmou que o atendimento depende da liberação dos recursos do programa ‘‘Paraná 12 Meses’’, retidos no Senado. ‘‘Não posso colocar recursos que não tenho’’, disse. O governador pediu que o MST pressione os senadores Roberto Requião e Osmar Dias para que desistam de bloquear os empréstimos. ‘‘Isso é um problema dos políticos’’, disse Nildemar da Silva, da coordenação do MST.
Os sem-terra Celso Anghinoni e Delfino Becker (libertados quarta-feira depois de um mês de prisão) entregaram ao governador duas cestas com alimentos produzidos em áreas de assentamento. ‘‘Não há melhor maneira de celebar do que com alimento e isso nos torna companheiros na causa da terra’’, disse Lerner.

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