Terras da seita vão do Brasil ao Paraguai
Paulo San Martin e
Alessandra Campos
Especial para a Folha
O Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) vai lançar mão de satélites para descobrir se existem estratégias não reveladas na gigantesca operação de compra de terras que os representantes do reverendo Moon empreendem na região de fronteira entre o Mato Grosso do Sul e o Paraguai. O pressuposto é o de que as terras podem formar um verdadeiro corredor, unindo os dois países através de rios e formando um verdadeiro enclave transnacional da seita. A Associação admite que já investiu cerca de US$ 7 milhões na compra de fazendas no Paraguai.
O chefe do Grupamento Técnico do Incra na região de Jardim e Bonito, Máximo Ribeiro Fernandes, revelou à Folha, na semana passada, que já completou o primeiro levantamento dos títulos de terras registrados em nome da Associação para a Paz Mundial na região.
Por enquanto, temos em mãos apenas as áreas onde o título de propriedade já foi registrado em nome da Associação. São mais de 30 mil hectares de terras. Mas sabemos que esta é apenas uma pequena parte. Outros milhares de hectares já foram comprados, mas por enquanto os proprietários fizeram apenas contratos de compra e venda. Segundo apuramos, é o reverendo quem quer assim, explica Fernandes. Há dois meses, a Associação comprou a Fazenda Figueira, no município de Jardim, uma área de 9 mil hectares com parte dela ocupada por sem-terra.
Levantamento sumário feito pela prefeitura de Jardim estima que 10% das terras do município já estão nas mãos de Moon, sem contar outras grandes áreas adquiridas em Bonito e Porto Murtinho. Por baixo, ele já deve ter mais de 80 mil hectares, estima o prefeito de Jardim, Márcio Monteiro.
Depois que concluir este levantamento, o Incra enviará os dados para sua unidade de geoprocessamento, em Campo Grande. Assim, através de análise de satélites, poderemos obter um mapeamento preciso da disposição destas terras ao longo do território, comenta Fernandes.
A investigação sobre os reais desígnios de Moon nestas operações gigantescas de compra de terras ganharam força no início deste mês. No dia 6 de setembro, o governador do Mato Grosso do Sul, Zeca do PT, pediu oficialmente ajuda federal para investigar as ações dos representantes do reverendo no Estado. De acordo com a assessoria do governador, ele vem coletando informações sobre Moon desde o início de seu mandato e já tem razões de sobra para concluir que o reverendo não é bem vindo ao Estado. Colaborou Osmar Santos.





