Gaúcho de nascimento, paranaense de criação e brasiguaio por opção, Alfeu Lui conta que todas as propriedades que ele e o irmão Alir têm na Comunidade de Panambi, em Santa Rita, foram adquiridas legalmente e registradas seguindo a lei paraguaia. Mesmo assim, na manhã do dia 4 de maio, mais de cem homens da Polícia Nacional, armados até os dentes, pararam em frente à sua porteira, às margens da Ruta 6, para cumprir uma ordem de desaolojo de uma área de 380 hectares, dentre os mais de mil que a família possui.
''Arrebentaram o cadeado, invadiram a casa do caseiro e jogaram toda a mudança para o lado de fora. Diziam que a terra pertencia a um tal de Alcides Javier Verdun Flores'', aponta o produtor que quase foi preso ao argumentar que seria o legítimo dono da área. Imediatamente, centenas de outros produtores brasiguaios - ''e até paraguaios'' - seguiram para o local e bloquearam a rodovia em sinal de protesto.
Alfeu ficou quase uma semana sem ter acesso a área. Teve prejuízos tanto materiais - por conta de danos ao patrimônio - quanto morais - o temor de perder o bem conquistado à custa de muito trabalho. Temia ainda perder as modernas máquinas e implementos. ''Nosso calendário agrícola também foi todo comprometido'', completa. Além disso, ele já gastou US$ 80 mil com advogado e teve de ingressar na Justiça de Santa Rita para retirar a força policial e retomar a posse da área. Mesmo assim, o processo judicial continua correndo.
Este, segundo Alfeu, não teria sido o primeiro caso de tentativa de desalojo de brasiguaios. ''O Governo brasileiro tem obrigação de esclarecer a verdade, porque eles (paraguaios) apresentam títulos falsos em cima de títulos verdadeiros'', critica.
Diante da paralisia da diplomacia brasileira, ele decidiu tomar uma atitude drástica. Ergueu uma barricada em frente à porteira por onde os policiais ingressaram e bloqueou o acesso. ''Pelo menos por aqui, agora ninguém entra mais.'' (L.A.)

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