TERRA - A questão agrária no PR
Guto Costa
TERRA
A questão agrária no PR
Arquivo FolhaA promulgação da Lei da Terra, em 1850, pode ter acendido o longo rastilho de pólvora que ainda hoje provoca explosões em todos os cantos do País. Esta lei, como lembra o historiador Tony Hara, impedia que se tornasse proprietária de áreas agrícolas qualquer pessoa que não fizesse parte da elite aristocrática. No Paraná, a história dos conflitos agrários começa praticamente nos primeiros dias do século atual, sendo emblemático, no período, o episódio conhecido como a Guerra do Contestado. A colonização de boa parte do Estado é acompanhada de incontáveis relatos sobre violência, principalmente do embate entre grileiros e posseiros. A partir de 1980, quando os trabalhadores rurais sem terra começam a se organizar - primeiro como Mastro e, depois, MST - com o objetivo de ocupar propriedades improdutivas, a questão vai ganhando novos contornos a cada dia. Os ruralistas também resolveram juntar forças para lutar pelas suas posses e o confronto, nem sempre velado, se mantém, sustentando o clima de tensão no campo. Embora timidamente, a reforma agrária nacional - vinculada, a princípio, a ideologias de esquerda - está acontecendo: não como gostariam os integrantes do Movimento dos Sem Terra e apesar da reprovação explícita dos proprietários de terras. No Paraná, onde 18 sem-terra foram assassinados em conflitos agrários nos últimos oito anos, o Incra informa ter assentado oficialmente 11.926 famílias. O Estado também é palco do maior projeto de assentamento liderado pelo MST em todo o País, o Ireno Alves dos Santos, em Rio Bonito do Iguaçu, que pretende dar terra a 1550 famílias, ou quase 8 mil pessoas. (Nelson Capucho)





