Andarilhos e moradores de rua têm utilizado o Terminal Rodoviário de Londrina, na zona leste, como um albergue. Ontem de manhã, a reportagem da FOLHA encontrou oito pessoas dormindo na área de embarque dos ônibus metropolitanos, na parte inferior do espaço. Alguns deles se protegiam com cobertores; outros usavam papelões para forrar o chão e havia aqueles deitados diretamente no piso.
Essas pessoas contaram que a escolha do espaço se deve à segurança e também à infraestrutura, como banheiro público, iluminação, área coberta em caso de chuva e sempre há um fluxo grande de pessoas, o que impediria qualquer ação violenta contra eles.
As drogas e o álcool fazem parte do cotidiano de várias dessas pessoas. Antônio Carlos Pereira afirmou à reportagem que dorme na Rodoviária porque foi expulso de um albergue por seu problema com o alcoolismo. ''Aqui é o local mais seguro para se dormir'', declarou. Natural de Cornélio Procópio (Norte Pioneiro), ele contou que está em Londrina há oito meses e seu objetivo é ir a Foz do Iguaçu (Oeste) procurar a sua filha, que não vê há sete anos.
Perto dali estava um jovem de 25 anos, que pediu para não ser identificado. Ele disse que tem endereço fixo (no Residencial Vista Bela, na zona norte), mas estava na Rodoviária ontem porque é viciado em drogas e teve uma recaída. Ele revelou que ficou internado em uma clínica de recuperação para dependentes químicos por 30 dias. ''Eu usei maconha, crack, bebi muita cerveja e decepcionei um monte de gente que gosta de mim e que tinha me dado uma segunda chance'', desabafou.
O espaço também serve de abrigo para quem veio de fora para trabalhar e ainda não encontrou um espaço para morar. Um homem, natural de Foz do Iguaçu, disse que chegou em Londrina há pouco tempo, tem trabalho, mas não conseguiu um lugar para morar. ''Este mês estou sem dinheiro para pagar pelo aluguel de uma quitinete, então vim para a Rodoviária.'' Com os pertences guardados em uma sacola plástica de supermercado, ele declarou que tudo o que ele possui está ali. Com roupas em estado melhor que a de seus colegas de abrigo, ele afirmou que acha tranquilo permanecer naquele espaço. ''Fazer o quê? Eu preciso de um lugar para dormir'', justificou.
A presença dessas pessoas incomoda alguns usuários da Rodoviária. ''A prefeitura precisa criar um espaço adequado para eles'', defendeu O lavrador aposentado Mário Brizoto, de 58 anos. Ele argumentou que a presença deles logo na entrada da cidade proporciona um visual ruim.
O vendedor Jonathan de Souza vê o caso como uma falha dos políticos. ''É uma situação triste. Eles são seres humanos como nós, mas por falta de oportunidades pararam na rua'', destacou. ''Os políticos precisam sair do gabinete e ver essas cenas. Não falta verba, só falta disposição para resolver o problema.''

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