Rubens Burigo Neto
Especial para a Folha
O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Intermunicipal (Rodopar), Tadeu Castelo Branco, disse ontem, em Curitiba, que os terminais rodoviários de todo Paraná, principalmente os das grandes cidades, precisam rever seus sistemas de segurança. Na opinião dele, algumas medidas evitariam os assaltos que são praticados durante as viagens, por criminosos que embarcam nos ônibus portanto armas de fogo.
Castelo Branco, que também é diretor da empresa de ônibus Sulamericana,
acredita que já está na hora da Rodoferroviária de Curitiba, por exemplo, contar com equipamentos que possam detectar metais. O empresário disse que o terminal curitibano poderia ser modernizado e passar a funcionar como um aeroporto, com áreas separadas para os acessos de embarque e desembarque. ‘‘As empresas já fizeram tudo o que poderiam para solucionar o problema. Está na hora de termos mais rigor por parte das autoridades para controlar o embarque dos passageiros’’, cobrou Castelo Branco.
O administrador da Rodoferroviária de Curitiba, Jair José de Carvalho, admitiu que, com a atual estrutura do terminal, é ‘‘impraticável’’ e ‘‘complicada’’ a instalação de um aparelho de detecção de metais. ‘‘Não adiantaria colocarmos somente aqui em Curitiba, porque os ônibus fazem o embarque de passageiros durante as viagens.’’
Castelo Branco rebateu. Segundo ele, os bandidos dão preferência às linhas diretas, que fazem o trajeto de grandes e médias cidades para Foz do Iguaçu e vice-versa.
O empresário contou que os assaltos só diminuíram depois que o Rodopar passou a ceder carros descaracterizados para serem usados no patrulhamento das rodovias por policiais do Grupo Águia, da Polícia Militar. Castelo Branco também disse que é preciso estar atento às constantes mudanças das táticas de assalto.
Na madrugada de sábado passado, três homens armados com revólveres assaltaram o ônibus da Viação Vale do Iguaçu que fazia a linha Curitiba-Francisco Beltrão, na BR-277, perto da divisa entre os municípios Irati e Prudentópolis, região Sudeste do Estado. Eles haviam embarcado às 20h15 de sexta-feira no ônibus da mesma empresa que iria para Capanema. Os bandidos foram presos na rodoviária de Irati, logo no começo da manhã de sábado.
Medo Os passageiros também concordam que viajar pelas rodovias do interior vem sendo um teste para os nervos. Há três meses o gerente comercial Eros Viana da Silva trocou o ônibus pelo carro nas viagens que faz semanalmente desde 1992. ‘‘Parei de viajar de ônibus porque tinha medo dos assaltos,’’ lembrou aliviado.
Silva disse que contou com a sorte porque, no horário em que costumava viajar para Foz do Iguaçu, nunca foi assaltado. Além da segurança, ele disse que a viagem de carro é mais barata e confortável. O vendedor Daniel Chocailo, que sempre viaja à noite, afirmou que os passageiros poderiam ser revistados. ‘‘Viajo só uma vez por mês, mas sempre com medo.’’

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