O curitibano Henrique José Barth, 41 anos, que ficou 56 horas sem comer, numa greve de protesto contra a inconstitucionalidade do salário mínimo, elevado no último dia 1º de R$ 112 para R$ 120, encerrou sua manifestação ontem às 18 horas. Barth avaliou o resultado de seu protesto como positivo e afirmou que foi ‘‘o início de uma caminhada para debater nacionalmente a melhor distribuição de renda no País.’’
Nas últimas horas da greve ele disse que se sentia fraco, com dor de cabeça e muita fome. Para quebrar o jejum, avisou que beberia um copo de leite, antes de pensar em alimentos sólidos. ‘‘Depois quero comer um churrasco ou uma bela feijoada.’’
Barth, que é casado, tem três filhos e trabalha como escritor e humorista, permaneceu duas noites e três dias ao lado da escultura da Boca Maldita. ‘‘Mais de mil pessoas passaram por aqui para falar comigo. Formavam-se rodas de gente para debater o assunto.’’ Segundo ele, muitas pessoas vieram de outras cidades para demonstrar seu apoio. Várias pessoas entregaram cartas aprovando o ato.
O autor do protesto aproveitou para denunciar o presidente Fernando Henrique Cardoso, que, segundo Barth, pelo segundo ano consecutivo desrespeita a constituição, reajustando o salário abaixo dos índices inflacionários. ‘‘Isto perpetua a escravidão dos trabalhadores’’. Agora o próximo passo, informou, será a criação do Movimento dos Sem-Renda. ‘‘Muitos que passaram por aqui já demonstraram interesse em ingressar no movimento.’’

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