Termina amanhã prazo para desocupação de praça
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de maio de 2003
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
O prazo para permanência dos artesãos na Praça Floriano Peixoto vence amanhã. A desocupação é uma exigência da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), que vai realizar obras de revitalização. O presidente da entidade, Wilson Maria Sella, afirmou que os artesãos ''serão tratados como qualquer outra pessoa que esteja irregular num local''. Ele garantiu que a CMTU deverá tomar as providências necessárias até o início das obras, previsto para duas semanas.
O presidente da União dos Artesãos da Praça Floriano Peixoto (Uniflor), Demindo Florentino, disse que o grupo não pretende sair por não ter local definido aonde ir. Em reuniões anteriores, a CMTU teria sugerido o uso de um prédio na avenida Rio de Janeiro, mas Demindo disse que o prédio não seria suficiente para abrigar os 27 integrantes da Uniflor, junto com os outros artesãos que atuam na praça, o que contabilizaria cerca de 200 pessoas.
Para o presidente da Uniflor, o problema é a falta de diálogo. Ele acusa a CMTU de não procurar os artesãos para definir outro local. Já Sella disse que o grupo esteve pouco receptivo ao diálogo nas reuniões realizadas na tentativa de solucionar o impasse. A intenção da administração municipal é montar um Centro de Excelência de Artesanato. A Uniflor pretende organizar um abaixo-assinado para tentar manter as barracas.
O artesão Luiz Alves faz e vende trabalhos de entalhe em madeira. Para ele, uma mudança de local só seria viável se fosse no próprio calçadão. ''Se sairmos do calçadão, o movimento cairia até 70%'', avalia. Para ele, a ocupação do espaço público é necessária. ''Tenho família para sustentar com o meu trabalho. Se não puder trabalhar, como faço para sobreviver?'', questionou.
Aos 50 anos, Elio Ota está há três décadas trabalhando na praça Floriano Peixoto. Segundo ele, o prazo foi imposto pela CMTU. ''Concordo com as obras de melhoria da praça, desde que sejam feitas com a gente aqui dentro'', afirmou. Para ele, seria possível até mesmo discutir a possibilidade de realização de feiras periódicas, desde que sejam no calçadão.
Para Wilson Sella, a atual situação da praça Floriano Peixoto é ''extremamente caótica''. Segundo ele, o problema será resolvido com as obras de revitalização. Outra preocupação da administração municipal é a realização de feiras nos espaços públicos. ''Quero dar um encaminhamento diferente para as feiras realizadas em praças. Elas devem ser sazonais, somente para a divulgação, e não para a comercialização dos produtos'', explicou.


