Eles se conheceram em Ibitinga, cidade conhecida com a ‘‘terra do bordado’’, no interior de São Paulo. Eram vizinhos: as famílias tinham sítios um do lado do outro. A afeição não demorou a aparecer e logo começaram a namorar. Menos de um ano depois, estavam casados; ela, de véu e grinalda.
Isso foi no dia 28 de outubro de 1929. Hoje, 69 anos depois, Tereza Denardi e Marcílio Carvalho Grade continuam casados. Ele com 92 anos de idade e ela, com 78. ‘‘Foi um namoro rápido e o casamento foi bastante simples. A gente não tinha quase nada em casa, mas aos poucos foi acertando. Felizmente deu tudo certo’’, recorda Tereza.
O casal ficou no interior de São Paulo até 1939, quando resolveu arriscar a vida em Londrina. Foram três dias de viagem até chegar ao Norte do Paraná, de caminhão, numa terra dita como próspera. O pai de Marcílio, o português José Carvalho Grade, foi um dos pioneiros de Londrina, onde chegou em 1935 para trabalhar na lavoura.
Paulo WolfgangA família numerosa reuniu-se no último domingo para a comemoração‘‘Aqui, na época, era só mato, só tinha capoeira. As charretes tinham que desviar dos tocos que ficavam na rua’’, recorda Marcílio. Chegando a Londrina, ele passou a ganhar a vida como ‘‘fosseiro’’ (abria fossa); pouco tempo depois, comprou um sítio, onde trabalhava de sol a sol, para garantir o sustento da família - o casal teve cinco filhos. A vida só começou a melhorar a partir da década de 50, quando eles compraram uma chácara, perto de onde está instalado hoje o Hospital Universitário (HU).
Álbum de famíliaNo dia do casamento, véu e grinalda e promessas de amor eterno
Em 1957, o casal começou a construir o prédio onde mora até hoje com uma das filhas, na Rua Benjamin Constant (área central). No mesmo local, três anos antes de chegar a Londrina, o casal já tinha comprado uma casa de madeira. A casa não foi derrubada e permanece nos fundos do novo prédio.
Depois de quase sete décadas de convivência diária, cinco filhos, 10 netos e 14 bisnetos, Marcílio e Tereza acumularam muitas histórias de alegrias e tristezas, Dos cinco filhos, por exemplo, apenas dois ainda continuam vivos. Nada, no entanto, que abalasse a estabilidade do casal. Ou que atrapalhasse a festa de aniversário de casamento, que ocorreu antecipadamente no domingo passado reunindo diversos familiares.
‘‘A receita para se viver tanto tempo junto é ter muita persistência, tolerância, paciência. Senão não se vive. É como se diz: não tem rosa sem espinho, isso tudo é parte da vida. E a gente venceu’’, comenta Tereza Denardi.

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