Fotos Mário Cesar


Arquivo Folha

Na foto superior, Sylvio Villari, do HU; na foto central, Jorge Pereira Cardoso Jr., do Evangélico; na foto inferior, Miguel Alves Pereira Jr., da Santa CasaTerciários cobram
maior atuação
do Setor Público
Criação de um pronto-socorro público; passar para o Poder Público a responsabilidade do atendimento de urgência/emergência; criação de leitos de semi-internação em hospitais secundários (Zona Norte e Zona Sul) para atender pacientes crônicos.
São algumas das alternativas apontadas pelos diretores-clínicos dos hospitais terciários - Santa Casa e Hospital Evangélico - para minimizar a suporlotação nos hospitais.
O diretor-clínico da Santa Casa Miguel Alves Pereira Jr., diz que é comum pacientes procurarem o pronto-socorro do estabelecimento antes mesmo de passarem por um posto de saúde ou hospital secundário, o que sobrecarrega em muito o hospital.
Para minimizar o problema, ele afirma que é necessária a criação de um pronto-socorro público e chama a atenção para o fato de o Poder Público - ‘‘independente de ser municipal, estadual ou federal’’ - não estar investindo em saúde. ‘‘Na parte de prevenção Londrina está bem. O problema está no atendimento de urgência/emergência’’, alerta.
Para Miguel Pereira o Poder Público precisa assumir a responsabilidade de oferecer à população o atendimento nesta área. ‘‘De acordo com a Constituição é obrigação do Poder Público oferecer saúde à população. A iniciativa privada pode complementar este serviço, mas em Londrina acontece o contrário’’, afirma. ‘‘É preciso repensar a questão do atendimento de pronto-socorro em Londrina’’.
Segundo ele, a questão deveria ser colocada na agenda dos políticos. ‘‘Só que eles não se interessam em mexer com a saúde porque é uma área complexa para se administrar e que tem um alto custo’’, afirma. Miguel Pereira alerta para o fato de os hospitais não estarem conseguindo prestar bons serviços e os médicos enfrentarem dificuldades para exercer sua profissão por falta de leitos.
‘‘O médico acaba tendo uma responsabilidade que não é inerente a sua profissão: dizer quem deve e quem não deve ser atendido’’, afirma. Segundo ele, sem uma atuação do Poder Público, no futuro a situação tende a piorar, principalmente quanto ao atendimento de urgência e emergência. ‘‘Isto causa intranquilidade, a cidade sai perdendo, principalmente o paciente’’, alerta.
Na opinião do diretor-clínico, a questão da saúde tem que ser pensada como um engenheiro de trânsito pensa o trânsito, prevendo o crescimento da cidade ‘‘para daqui 10 anos e não correndo atrás da defasagem’’.
‘‘Londrina está crescendo e falta estrutura física para absorver as pessoas que vêm para cᒒ, afirma. A alta demanda de pessoas que vêm de outras cidades é considerada pelo diretor-clínico do Hospital Evangélico Jorge Pereira Cardoso Jr., como um preço pago por Londrina por ser referência na área de saúde.
Na opinião dele, os hospitais secundários deveriam absorver os pacientes que já sairam da crise e precisam continuar o tratamento internados. ‘‘Na fase aguda o paciente deve ser tratado nos hospitais terciários e depois devem ser encaminhados para os secundários, mas não conseguimos a transferência’’, afirma.
Para resolver isso, ele afirma que deveriam ser criados leitos de semi-internação nos hospitais secundários. ‘‘Desta forma seriam absorvidos os pacientes crônicos que não são responsabilidade dos hospitais terciários’’, afirma. ‘‘Temos hoje mais ou menos 20 pacientes crônicos que deveriam ser tratados em hospitais secundários’’, complementa.

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